Governo amplia repasses para câncer e anuncia 23 novos medicamentos no SUS
Anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo presidente Lula (PT) no Hospital de Amor, em Barretos, SP.

Foto: João Risi/MS
MARCELO TOLEDO
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (15) a ampliação dos repasses para procedimentos oncológicos e novos medicamentos para o tratamento de 18 tipos de câncer. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo presidente Lula (PT) no Hospital de Amor, em Barretos (a 423 km de São Paulo).
De acordo com o ministério, com o aumento nos repasses, o valor para o atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) na rede privada será reajustado dos atuais R$ 1.200 para até R$ 25 mil, e 23 novos remédios serão disponibilizados.
Os anúncios feitos nesta sexta, conforme o governo federal, integram um pacote de investimentos de R$ 2,2 bilhões para ampliar o acesso a tratamentos contra o câncer no SUS.
Padilha afirmou em sua apresentação no Hospital de Amor que os 23 novos medicamentos serão incluídos a partir da nova tabela do programa Agora Tem Especialistas.
"Isso significa tratamento para 18 tipos de câncer. Hoje tem 112 mil pacientes no Brasil que já poderiam ser beneficiados com esses medicamentos, que não são, porque a gente não tem ainda esse medicamento da tabela da oncologia [...] Tem medicamento que custa R$ 25 mil por mês para ele fazer o tratamento. Tem medicamento que, para concluir o tratamento de quimioterapia, [custa] R$ 630 mil, agora é de graça pelo SUS", afirmou o ministro.
O programa é uma aposta do governo para emplacar uma marca forte na saúde, e o objetivo do ministério é expandir os atendimentos especializados ao contratar leitos ociosos em hospitais e clínicas privadas, além de permitir que estas unidades de saúde abatam as suas dívidas ao receber os pacientes do SUS.
De acordo com o hospital de Barretos, referência no tratamento oncológico no país, no ano passado foram realizados mais de 9.500 atendimentos na frente da pesquisa clínica, e a instituição manteve 233 protocolos ativos e acompanhou cerca de 800 pacientes em tratamento por meio de estudos clínicos.
No evento, o hospital apresentou também o projeto do novo centro de pesquisa clínica e cirurgia robótica, que tem como objetivo aumentar a capacidade da instituição em integrar a assistência oncológica com inovação médica, produção científica, formação profissional e acesso a tratamentos complexos.
Além de Lula e Padilha, o lançamento da pedra fundamental contou com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e com o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Outras medidas anunciadas foram a criação de um financiamento permanente da cirurgia robótica para câncer de próstata no SUS, com investimento de R$ 50 milhões, e a assinatura de uma portaria de recursos suplementares de R$ 129 milhões para o hospital, além da assinatura de um termo de execução com o Ministério das Comunicações para a criação da Rede Saúde Brasil de Cibersegurança.
O investimento inicial nessa iniciativa é de R$ 2 milhões e o objetivo é conectar as unidades do Hospital de Amor em Barretos e em Porto Velho, para viabilizar as primeiras telecirurgias robóticas do SUS. A previsão do hospital é que os primeiros procedimentos sejam feitos a partir de julho.
Para o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, os anúncios desta sexta-feira abrem um novo caminho para ampliar o acesso à cirurgia robótica oncológica, fortalecer a pesquisa e melhorar a estrutura de atendimento aos usuários.


