Governo Lula considera como 'muito grave' relatório dos EUA que acusa falhas no combate ao PCC e CV
Presidente Donald Trump afirmou que organizações criminosas são 'ameaça à segurança mundial'

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Auxiliares do presidente Lula (PT) consideram como "muito grave" o relatório dos Estados Unidos que acusou o Brasil de falha no combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PPC) e Comando Vermelho (CV).
Em relatório encaminhado ao Congresso americano na última terça-feira (15), o presidente Donald Trump falou sobre a necessidade de adoção pelo Brasil, "com urgência", de "medidas enérgicas para enfrentar" as organizações criminosas.
O PCC e o CV foram incluídos pelos EUA na lista de organizações terroristas.
O documento ainda revela que enquanto outros governos do hemisfério ocidental tem adotado "medidas corajosas" para por fim aos cartéis, o Brasil não tem encarado o PCC e o CV.
Na avaliação feita pela área internacional do Governo Federal, o documento relaciona o crime organizado e o narcotráfico à segurança nacional americana, e com isso "abre margem para ações militarizadas dos EUA à revelia do direito internacional".
O relatório americano sobre PCC e CV foi divulgado na última quarta-feira (16) pelo Departamento de Estado. Momentos depois, o governo brasileiro emitiu uma nota negando existir falhas ou omissões ao encarar o crime organizado transnacional.
"A alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege esse mecanismo anual. Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva", destaca o governo brasileiro.
O Ministério da Justiça informou por meio de nota que as alegações do governo americano desconsideram medidas adotadas pelo governo brasileiro, a exemplo da Lei Antifacção, que foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula.
Também foi ignorada a cooperação que já existe entre Brasil e EUA no enfrentamento ao crime organizado transnacional.


