Governo Lula estuda meios para financiar campanha de Bachelet na ONU

Na administração Lula estão sendo analisadas tanto a base legal para viabilizar um aporte quanto as fontes de onde sairiam os recursos

Por FolhaPress
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 Governo Lula estuda meios para financiar campanha de Bachelet na ONU

RICARDO DELLA COLETTA - O governo Lula avalia opções para conseguir apoiar financeiramente a candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da ONU.

O tema do custeio logístico da campanha de Bachelet se agravou depois que o Chile, hoje governado pelo direitista José Antonio Kast, retirou o apoio do país ao nome da ex-presidente - a expectativa era que Santiago custeasse despesas como passagens aéreas e hospedagens.

Na administração Lula estão sendo analisadas tanto a base legal para viabilizar um aporte quanto as fontes de onde sairiam os recursos. Ainda não há decisão tomada.

A disputa pelo cargo mais importante da ONU envolve uma campanha que se arrasta por meses, na qual os candidatos costumam viajar aos países considerados mais influentes no processo de seleção para se reunir com líderes e pedir votos.

Bachelet se encontrou nesta segunda-feira (11) com Lula no Palácio do Planalto. Após a reunião, o presidente disse ter discutido com a chilena "o papel que uma ONU reformada precisa ter para a promoção da paz e do desenvolvimento sustentável, bem como para o fortalecimento do multilateralismo".

"Sua experiência como chefe de Estado e profunda conhecedora da ONU a credencia a ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização", escreveu ele em rede social.

De acordo com pessoas cientes da discussão, o tema do financiamento da campanha não foi tratado entre os dois.

A ex-presidente e ex-líder do comissariado para os direitos humanos da ONU teve seu nome lançado na disputa em 2 de fevereiro, com o apoio conjunto de Chile, México e Brasil. À época, Kast já havia sido eleito, mas ainda não havia tomado posse, e o país era governado pelo esquerdista Gabriel Boric, aliado de Lula e da mexicana Claudia Sheinbaum.

Em 25 de março, Kast retirou o endosso a Bachelet, e a chilena passou a ser considerada uma candidata patrocinada por Brasil e México. Ainda no governo Boric, o Chile havia destinado cerca de US$ 57 mil para gastos com a campanha até os primeiros meses deste ano. Quando houve a retirada do apoio, a imprensa chilena publicou que, no total, foram gastos cerca de US$ 28 mil (R$ 155 mil).

O Brasil não gastou nada até aqui para apoiar a campanha de Bachelet, mas tem se engajado ativamente na defesa de seu nome tanto na ONU quanto em encontros bilaterais.

Em tese, o governo não pode custear diretamente despesas da candidatura, já que Bachelet não é funcionária pública brasileira. Para contornar esse ponto, uma das opções estudada no Planalto é a edição de um decreto por Lula autorizando o gasto.

Um apoio brasileiro e mexicano na divisão das despesas seria usado principalmente para passagens aéreas no plano de Bachelet de tentar visitar os 15 membros do Conselho de Segurança, além de outras viagens que se mostrem necessárias. A ideia é que ela utilize a estrutura das residências das embaixadas do Brasil e do México quando necessário.

Pelas regras das Nações Unidas, o candidato a secretário-geral precisa ser aprovado pelo Conselho de Segurança - portanto, sem nenhum veto dos integrantes permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China). A partir desse ponto, o nome segue para chancela da Assembleia-Geral, etapa considerada uma formalidade.

Pessoas que acompanham o processo de seleção dizem que Bachelet pode esbarrar no veto dos EUA, governados por Donald Trump, e da China, devido a um relatório que ela produziu apontando graves violações de direitos humanos de Pequim contra os uigures, uma minoria muçulmana no território chinês.
Independentemente da resistência, o governo Lula trata a candidatura de Bachelet como um tema de princípio e uma defesa necessária do multilateralismo e do sistema ONU, em um momento em que a organização enfrenta um enfraquecimento sem precedentes.

É esperado ainda que no final de junho Bachelet retorne à sede da ONU em Nova York para uma rodada de conversas com representantes dos integrantes permanentes do Conselho de Segurança.

Pessoas próximas a Bachelet disseram que a ajuda financeira brasileira e mexicana não é fundamental para a candidatura. Elas afirmam que a ex-presidente tem uma intensa agenda internacional, com diversos convites de instituições, e que pretende organizar suas reuniões de campanha a partir desse calendário já previsto.

Além de Bachelet, concorrem ao posto o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), a costarriquenha Rebeca Grynspan, ex-chefe da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), e o ex-presidente senegalês Macky Sall, nomeado pelo Burundi.

O argentino foi nomeado pelo governo Javier Milei e é visto como o candidato que pode ter o apoio de Trump.

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