VÍDEO: “Homens e meninos pretos são vistos com suspeita permanente”, diz Silvio Almeida ao rebater acusações de assédio sexual
Ex-ministro dos Direitos Humanos publicou um vídeo nas redes sociais nesta terça-feira (31) em que questiona seu direito de defesa

Foto: Reprodução / Redes Sociais
O advogado e ex-ministro Silvio Almeida publicou um vídeo nesta terça-feira (31) em que reafirma sua inocência diante das acusações de assédio que levaram à sua saída do governo. Na publicação, ele critica a ausência de direito à defesa no momento de sua demissão e argumenta que o caso teria sido fabricado para “servir a interesses políticos e eleitorais”.
“Olá, meu nome é Silvio Almeida e eu sou um homem inocente. Eu falo isso por respeito a quem me acompanha e tem o direito de ouvir diretamente de mim o que eu tenho a dizer. Eu fiquei em silêncio até aqui por responsabilidade, por respeito à dor da minha família e por respeito à lei, uma vez que a investigação corre em sigilo e eu respeito isso”, disse.
Segundo Silvio Almeida, a forma como foi retirado da vida pública se apoia em uma realidade social na qual homens negros são frequentemente associados à brutalidade e ao descontrole. Ele afirma que homens e meninos pretos são vistos sob suspeita permanente, o que facilitaria a projeção de comportamentos negativos.
“Homens e meninos pretos são vistos com suspeita permanente. Sobre nós é mais fácil projetar o mal que se quer expurgar. Somos tratados como problema de polícia, mas não como sujeitos políticos”, afirmou.
O ex-ministro disse ainda que a organização Me Too Brasil tornou públicas “supostas denúncias” e que, segundo ele, “até agora não apresentou às autoridades investigadoras informações elementares para atestar que essas denúncias existiam de fato”.
Silvio reconheceu que as acusações envolvem “uma causa importante”, mas afirmou que o tema teria sido utilizado para afastá-lo da vida política.
Relembre o caso
As denúncias de assédio sexual contra Silvio Almeida vieram à tona a partir de relatos encaminhados à Me Too Brasil e foram divulgadas inicialmente pelo portal Metrópoles, em setembro de 2024. Entre as pessoas citadas está a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, com episódios que teriam ocorrido em 2023 e incluiriam toques nas pernas e falas de cunho sexual.
Em pronunciamento, Anielle Franco afirmou que não se pode relativizar a violência e criticou tentativas de responsabilizar vítimas.
Silvio Almeida foi exonerado do cargo de Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania no dia 6 de setembro de 2024 . A decisão ocorreu após uma reunião com o presidente Lula, motivada pela repercussão de denúncias de assédio sexual divulgadas no dia anterior. Embora o ex-ministro afirme que pediu para ser demitido para garantir a liberdade e isenção das investigações, o Diário Oficial da União não registrou que a exoneração foi feita a pedido, sendo este um procedimento comum em casos semelhantes.
Após a saída de Silvio Almeida, o processo de sucessão no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania passou por algumas etapas. Inicialmente, o presidente Lula indicou a jurista Rita Cristina de Oliveira para o cargo, mas ela pediu exoneração poucas horas depois. Enquanto uma definição permanente não era tomada, a pasta foi ocupada interinamente por Esther Dweck, que acumulou a função com seu cargo de ministra da Gestão e da Inovação em Serviço Público. Por fim, o presidente escolheu a deputada estadual Macaé Evaristo para ser a nova ministra, substituindo definitivamente Silvio Almeida. Macaé Evaristo tem trajetória como professora e foi a primeira mulher negra a ser secretária de Educação em Belo Horizonte e no estado de Minas Gerais.
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