VÍDEO: Influenciadores ligados a bets criticam proibição; vício em apostas já atinge milhões no país
Davi Brito, Rico Melquiades e Jon Vlogs reagiram à medida assinada por Lula; enquanto criadores defendem "escolha individual", dados apontam impactos financeiros e na saúde mental

Foto: Reprodução
A decisão do governo federal de proibir as bets no Brasil provocou reação de influenciadores que mantêm ou já mantiveram relações comerciais com o mercado de apostas. Davi Brito, Rico Melquiades e Jon Vlogs são alguns dos criadores de conteúdo que publicaram vídeos entre a sexta-feira (25) e este sábado (26) criticando a medida e alertando para uma possível migração de apostadores para plataformas ilegais.
A Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula (PT), proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos de cassino online. O texto já está em vigor e determina que sites e aplicativos sejam retirados do ar a partir de 6 de outubro.
Em vídeo, Davi Brito afirmou que não pretende defender "aposta irresponsável", mas questionou a proibição do mercado regulamentado. Segundo o ex-BBB, brasileiros interessados em apostar poderão recorrer a plataformas clandestinas.
“Se o problema são as bets ilegais, por que não fortalecer ainda mais [o setor regulado] e combater quem está fora da regulamentação?”, questionou.
O discurso ocorre após Davi ter sido advertido, em 2024, pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por publicidade de apostas. Na ocasião, o órgão determinou a suspensão de peças da Arena Esportiva divulgadas pelo influenciador por apresentarem, entre outras irregularidades, promessa de ganhos fáceis e sugestão de recuperação de perdas financeiras. A defesa do ex-BBB informou na época que havia adotado medidas para corrigir os anúncios.
Rico Melquiades também criticou a decisão. “Será que tudo de ruim que acontece no Brasil é culpa das bets?”, perguntou. O influenciador argumentou que grandes personalidades, emissoras de TV e clubes de futebol são contratados pelas bets e não se pronunciaram.
Rico já foi chamado a prestar esclarecimentos à CPI das Bets no Senado. Em maio de 2025, afirmou aos parlamentares que sua relação com empresas de apostas havia ocorrido por meio de campanhas publicitárias remuneradas.
"Minha relação foi só como influenciador. Fiz campanhas publicitárias contratadas, como qualquer outra publi. E tudo foi documentado de forma legal, dentro do que era permitido na época", declarou na ocasião.
O influenciador Luan Kovarik, conhecido como Jon Vlogs, afirmou que a proibição estimulará o mercado clandestino e comparou o vício em jogos a outros tipos de dependência.
“Existem muitos vícios no mundo; cabe a cada um fazer suas escolhas e responder por seus atos”, disse. O influenciador também afirmou que continuará apostando mesmo após a proibição: "Eu vou viajar para Vegas e continuar apostando do mesmo jeito, como qualquer cara que gosta".
Jon é fundador da plataforma Jonbet e já foi investigado pela associação suspeita com a Blaze.
A ideia de que os danos das apostas seriam principalmente resultado das escolhas individuais, porém, é questionada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em uma publicação de 2024, a entidade já afirmava que estratégias baseadas apenas no chamado “jogo responsável” podem transferir para o apostador a responsabilidade pelo problema e têm eficácia limitada quando dependem de adesão voluntária.
No Brasil, mais de 10,9 milhões de pessoas apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático em 2023, segundo dados citados pelo Ministério da Saúde. Entre 2018 e 2025, os atendimentos no SUS relacionados ao jogo patológico e a problemas com apostas cresceram cerca de 140%. Mais de 1 milhão de brasileiros também já haviam solicitado voluntariamente o bloqueio de acesso às plataformas regulamentadas antes do anúncio da proibição.
O estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estimou em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social relacionado ao jogo problemático no país, sendo R$ 30,6 bilhões associados a danos à saúde. De acordo com a OMS, pessoas com transtorno do jogo apresentaram mortalidade por suicídio 15 vezes superior à população geral analisada.
E o plano para as bets ilegais?
Uma das principais perguntas repetidas pelos influenciadores é o que acontecerá com quem simplesmente decidir trocar uma plataforma autorizada por uma clandestina. O plano, porém, ocupa parte da própria medida que encerra as bets. A MP criou um comitê específico para coordenar o combate à exploração e à publicidade ilegal e prevê bloqueio de sites e aplicativos, restrição dos meios de pagamento e atuação conjunta de órgãos como os ministérios da Fazenda e da Justiça e a Anatel.
Veja a reação de outros influenciadores digitais publicada por um usuário do X:
Coletânea de choro de influencers com o fim das bets:
— Steve Banannon (@Steve_Banannon) September 26, 2026
1º Jon Vlogs pic.twitter.com/eNKoo8IQ6R
Leia mais:
Governo prevê multa de até R$ 50 milhões para empresas que descumprirem proibição das bets


