Janeiro registra maior alta mensal da Bolsa desde 2020

O resultado do mês se deve à entrada de investidores estrangeiros no país

Por FolhaPress
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Janeiro registra maior alta mensal da Bolsa desde 2020

Foto: Divulgação / B3

TAMARA NASSIF - O Ibovespa acumulou alta de 12,56% no mês de janeiro, no que foi a maior valorização mensal registrada pelo principal índice acionário do país desde a pandemia de coronavírus.

O levantamento, feito pela consultoria Elos Ayta, mostra que janeiro de 2026 só ficou atrás das altas de março de 2016 e de novembro de 2020, de 16,97% e 15,9%, respectivamente. A série comparativa data de janeiro de 2010.

O resultado do mês se deve à entrada de investidores estrangeiros no país - reflexo de um movimento de diversificação de carteiras em escala global. Segundo dados da B3, o volume aportado no país até quarta-feira (28) foi de R$ 23,2 bilhões, quase a soma total de 2025, de R$ 26,87 bilhões.

Outra métrica a se observar é o EWZ, o ETF (fundo de índice, na sigla em inglês) que replica o desempenho da Bolsa brasileira nos mercados de Nova York. "Foram criadas 26 milhões de novas cotas no EWZ, muito por causa da procura do investidor estrangeiro pelo Brasil", afirma Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos. "Quase todos os setores do Ibovespa performaram muito bem, por exemplo empresas ligadas a commodities, como petróleo e minerais. Bancos, saneamento e materiais básicos também foram muito bem."

Esse movimento de diversificação de carteiras começou a ganhar corpo no ano passado, quando o governo Donald Trump impôs cautela nos mercados através do morde-e-assopra do tarifaço. Investidores passaram a reduzir a exposição às praças norte-americanas, tentando fugir da volatilidade instalada pelo presidente.

A estratégia também teve como fundamento a desvalorização dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, uma das consequências dos cortes de juros do Federal Reserve.
Com isso, parte do dinheiro que alimentava os mercados financeiros globais foi alocada em mercados emergentes. O Brasil captou uma parte desse montante.

Já neste mês, a avalanche de capital estrangeiro teve como estopim a cruzada de Trump na Venezuela, no Irã e, posteriormente, na Groenlândia, ilha ártica da Dinamarca. O desejo do republicano de tomar posse da ilha, com ameaças tarifárias sobre produtos europeus, abalou a relação dos Estados Unidos com a União Europeia e colocou à prova a aliança da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Mais do que isso, transferiu risco para os mercados europeus, antes destino de parte das realocações em curso desde o tarifaço. A incerteza levou ao aumento dos aportes em países sem tanta exposição às tensões. 

Nesse sentido, a "Bolsa se afirmou como destino relevante do capital estrangeiro", diz Bruno Boccato, especialista de renda variável da InvestSmart XP. "Esse contexto é reforçado por um mercado ainda descontado e com elevado potencial de valorização ao longo do ciclo. Com a Selic em patamares elevados e perspectiva de queda, o cenário favorece a migração de recursos da renda fixa para a renda variável, ampliando as oportunidades na Bolsa."

A Elos Ayta também destaca a desvalorização do dólar como um fator relevante para o desempenho mensal da Bolsa. A moeda norte-americana encerrou janeiro em queda acumulada de 4%, tendo chegado à mínima de R$ 5,196 na quinta-feira (29) -menor valor desde maio de 2024.

"A combinação entre forte valorização do Ibovespa, enfraquecimento do dólar e retomada expressiva do fluxo estrangeiro cria um cenário estatisticamente incomum para o mês de janeiro, historicamente mais volátil e menos favorável ao mercado acionário brasileiro", afirma a consultoria do economista Einar Rivero. "O movimento reforça a leitura de que o Brasil voltou ao radar do investidor internacional não apenas por fatores conjunturais, mas também por uma reprecificação estrutural dos ativos locais em dólares." Até o dia 29, destaca a consultoria, o Ibovespa ainda acumulava 20,37% de alta na base dolarizada.

A valorização de janeiro ainda destoa das de março de 2016 e de novembro de 2020 por ter como fundamento tendências internacionais.
Março de 2016, lembra Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, teve como impulso a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. "Tiveram os desdobramentos da investigação sobre a Petrobras também, mas o foco estava no impeachment da presidente, que foi aprovado naquele momento e gerou otimismo nos mercados", afirma.

Já novembro de 2020 foi marcado pelo desenvolvimento das primeiras vacinas contra o coronavírus. "Estávamos em lockdown e as notícias geraram um grande rali. A Bolsa já tinha caído muito ao longo do ano, então foi mais um movimento de correção do que necessariamente de valorização", diz Marcatti.

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