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Jaques Wagner chama ação da PF de 'patacoada' e detalha negociação de apartamento

Senador foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero

Por Da Redação
Às

Atualizado
Jaques Wagner chama ação da PF de 'patacoada' e detalha negociação de apartamento

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo no Congresso, chamou de 'patacoada' a divulgação de uma foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive, em Brasília (PF). Ele admitiu à Folha de S.Paulo que fez uma reclamação ao presidente Lula (PT) sobre a conduta da Polícia Federal na ocasião.

Wagner foi uma dos alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no último dia 18 com o objetivo de investigar uma suposta atuação do senador para defender interesses do Banco Master no Congresso.

“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato", disse Wagner. "Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", se queixou.

Para o senador, a divulgação da imagem violou a orientação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), para que as apreensões ocorressem 'de forma discreta', devido ao 'caráter sigiloso da investigação'.

Apartamento

Entre as questões apuradas, está a articulação de apoio a propostas, como a ampliação do crédito consignado e a chamada 'Emenda Master', apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também é alvo da investigação.

De acordo com os investigadores, Jaques Wagner recebeu um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, além de repasses milionários, para favorecer o banco fundado por Daniel Vorcaro.

Questionado se omitiu de Lula a negociação do apartamento, o senador voltou a defender que o imóvel seria um presente para a filha e que, por não ter condições de comprá-lo, pediu ao empresário Augusto Lima, também investigado, que o fizesse, para depois recomprá-lo.

"Por que você pediria para reservar um apartamento num prédio em construção, se fosse para corrupção?", disse Wagner. "Está no meu nome? Foi doada para mim alguma coisa? O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito", complementou. "A Polícia Federal deve ter pegado isso na ligação minha para ele. Alguém, se fosse para ser um escambo, ia ligar para o cara para dizer?", finalizou.

Ainda na entrevista, o parlamentar revelou que os valores pagos pelo Banco Master à empresa de sua nora superam os R$ 3,5 milhões divulgados, mas têm origem legal.

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