Júri popular de PMS investigados pelo assassinato de delator do PCC começa nesta segunda-feira (22)
Defesa dos réus alega que investigações foram tendenciosas, com o intuito de incriminar militares

Foto: Reprodução
O julgamento dos policiais militares acusados por participação no assassinato do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) Antônio Vinícius Gritzbach começa nesta segunda-feira (22), no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.
O processo, em formato de júri popular, tem duração prevista de cinco dias, com sessões marcadas sempre às 10h. Os três réus que respondem ao processo são Denis Antonio Martins, Fernando Genauro da Silva e Ruan Silva Rodrigues, acusado por homicídio qualificado, pelas mortes de Gritzbach e do motorista Celso Araujo Sampaio de Novais, além de duas tentativas de homicídio, relacionadas às duas vítimas que ficaram feridas no caso.
A defesa alegou que os três réus são inocentes e afirmou que as investigações seguiram direcionamento para a incriminação dos militares, sem que houvesse apuração dos fatos e circunstância que envolvessem outros investigados.
O julgamento será conduzido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, da Vara do Júri de Guarulhos. Além dele, também integram os processos os promotores de Justiça Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes.
Ao todo, 21 testemunhas foram convocadas e devem ser ouvidas durante o processo. Destas, nove foram convidadas pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes para integrar a acusação.
Entre as testemunhas de acusação estão duas pessoas que estavam na cena do crime, foram baleadas e sobreviveram; a viúva do motorista por aplicativo Celso Novais; os oficiais que participaram do Inquérito Policial Militar (IPM); Danilo Silva Lima, motorista e segurança particular de Vinicius; a delegada Luciana Peixoto, responsável pela investigação na Polícia Civil; e o perito responsável pelo relatório pericial que sustentou a denúncia.
Por outro lado, as defesas dos réus convocaram 12 testemunhas, sendo uma delas comum ao Ministério Público.
Além dos militares submetidos a juri popular, o réu Kauê do Amaral Coelho, conhecido como "Jubileu" e apontado como o "olheiro" está foragido. Outros dois réus, Diego dos Santos Amaral, conhecido como "Didi", e Emilio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como "Cigarreira", apontados como mandantes do crime, também seguem foragidos.
A defesa de Kauê Coelho apresentou recurso, o que separou o julgamento dele aos demais réus. Já os apontados como mandantes não foram citados e não apresentaram defesa e, por esse motivo, a ação sobre eles está suspensa.
Confira parecer publicado pela defesa na íntegra:
"A defesa de Fernando Genauro, Denis e Ruan reitera que os três acusados, desde o primeiro momento, negam qualquer participação no homicídio de Antônio Vinicius Gritzbach e sempre sustentaram que houve um direcionamento investigativo voltado à sua incriminação, sem a devida apuração de fatos e circunstâncias envolvendo outros investigados.
Após a deflagração de investigação conduzida pela Polícia Federal para apurar a atuação de policiais civis supostamente vinculados ao crime organizado, os policiais civis Fábio Baena e Eduardo Monteiro foram presos temporariamente em 13 de dezembro de 2024, por determinação judicial, após representação da própria Polícia Federal. Na ocasião, aparelhos celulares foram apreendidos e dados armazenados em nuvem passaram por análise pericial especializada.
As perícias realizadas pela Polícia Federal identificaram elementos considerados relevantes para a investigação. Entre eles, consta que, em 11 de novembro de 2024, Eduardo Monteiro promoveu a reinicialização de seu aplicativo de mensagens.
No dia seguinte, 12 de novembro, providenciou a exclusão de todas as gravações do sistema DVR de sua residência. Já em 22 de novembro de 2024, utilizou o aparelho celular de sua esposa para realizar pesquisas relacionadas à possível prisão de Mateus e Kaue.
Kaue foi apontado como olheiro do crime, que estava dentro do aeroporto de Guarulhos.
Já o mandado de prisão de Mateus, foi inserido no Banco Nacional de Mandados de Prisão apenas no dia 26 de novembro, sendo cumprido apenas em 9 de dezembro. A defesa dos policiais trata essa evidência como um grande indicativo da participação de Eduardo Monteiro no homicídio. Como Monteiro sabia da existência de Mateus? A única possibilidade seria ele saber quem executou Gritzbach.
O crime ocorreu às 16h04, segundo as câmeras do aeroporto, aproximadamente 30 minutos após o fato Fabio Baena e Eduardo Monteiro se comunicam por chamada de áudio. Após às 16h45, Fabio Baena bloqueia o contado do advogado Ahmed Hassan Saleh, o 'Dr. Mudi', que possuía ligações estreitas com os policiais ora investigados e foi gravado em ligação oferecendo R$ 3 milhões pela morte de Vinicius Gritzbach.
As investigações evidenciam ainda preocupação de Baena e Eduardo Monteiro com a repercussão jornalística do caso, trocando mensagens com links de reportagens sobre o caso.
Os três acusados serão defendidos pelos advogados Claudio Dalledone Junior, Renan Canto, Mauro Ribas, Renato Soares, Nayara Thibes e Taynara Sturaro."
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