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Justiça da Bahia suspende negócio bilionário de minas de ouro entre canadenses e chineses

Por FolhaPress
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Justiça da Bahia suspende negócio bilionário de minas de ouro entre canadenses e chineses

Foto: Divulgação/CBPM

PEDRO LOVISI

A Justiça da Bahia suspendeu nesta quarta-feira (3) a venda de uma mina de ouro no estado que faz parte de um negócio bilionário envolvendo empresas canadenses e chinesas no Brasil. A decisão segue um pedido da CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral), empresa do governo da Bahia, que no mês passado disse não ter sido avisada da operação, o que iria contra um acordo de arrendamento entre os baianos e os canadenses.

A canadense Equinox Gold, que no Brasil opera minas na Bahia, Maranhão e Minas Gerais, anunciou em dezembro que venderia todos seus ativos no país para a CMOC, uma das maiores mineradoras do mundo e com operações de nióbio e fertilizantes fosfatados em Goiás e São Paulo. O negócio envolve o pagamento de mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) por parte dos chineses, sendo US$ 900 milhões no fechamento da compra e US$ 115 milhões um ano depois.

Em fevereiro, no entanto, o presidente da CBPM, Henrique Carballal, chamou executivos das duas empresas para a sede da estatal e afirmou que os baianos entrariam na Justiça contra a operação. Ele argumentou que o direito de extração da Equinox na Bahia pertence à CBPM e que os canadenses só operam na região sob um contrato de arrendamento, por meio de uma empresa chamada Santa Luz.

O contrato, segundo ele, prevê que a Equinox só pode negociar com terceiros seus direitos se tiver a anuência da arrendante, que nesse caso é a CBPM. Chineses e canadenses, no entanto, argumentam que, apesar da venda, o direito minerário continua sob a Santa Luz, que agora passa a ser administrada pela CMOC.

Nesta terça, o juiz Dario Gurgel de Castro concordou com a defesa da estatal e disse que, embora a Santa Luz ainda seja detentora do direito mineral, a mudança de controle da empresa gera impactos à parceria. Segundo o magistrado, a exigência no contrato tem o objetivo de proteger a administração pública.

"Isso porque o Estado, ao contratar, avalia um conjunto de atributos do particular –sua capacidade técnica, sua solidez econômico-financeira e sua regularidade fiscal", escreveu na decisão. Embora a alteração do controle societário não implique, sob o aspecto formal, modificação da personalidade jurídica da contratada -como sustentam as rés-, pode, em princípio, representar alteração relevante de elementos que embasaram a confiança da Administração Pública quando da contratação, tais como: técnico, gerencial e financeiro".

Em sua decisão, o magistrado ainda determinou que chineses e canadenses apresentem documentos relativos à venda. Por outro lado, ele negou o pedido da CBPM para retomar imediatamente a área arrendada e manteve o funcionamento da atividade no complexo minerário -a CMOC já está operando a mina, uma vez que o negócio foi totalmente concretizado em 23 de janeiro, segundo a Equinox Gold pontuou em seu último balanço financeiro.

Procurada, a CMOC ainda não havia respondido os questionamentos da reportagem até a publicação deste texto. A Equinox Gold afirmou estar ciente da decisão e que a venda de suas operações brasileiras de ouro foi conduzida em total conformidade com a lei e todas as obrigações contratuais.

"Continuamos empenhados em um diálogo construtivo com o Estado para resolver quaisquer diferenças e garantir que os interesses de todas as partes sejam devidamente atendidos", afirmou.
Se concretizada, a anulação da venda das minas da Equinox na Bahia tem potencial de afetar toda a negociação entre chineses e canadenses. Isso porque o complexo minerário da Equinox no estado é o mais lucrativo da empresa no país. No ano passado, a empresa faturou US$ 892 milhões no Brasil.

No último balanço, a empresa não detalhou a receita específica do complexo na Bahia, mas de acordo com o balanço anual de 2024 da Equinox as duas minas da empresa no estado geraram uma receita de US$ 290 milhões no ano, quase metade de toda a receita da empresa no Brasil naquele ano e um quinto da receita mundial da mineradora, que também opera minas de ouro no Canadá, EUA, México e Nicarágua.
O preço do ouro vem batendo recordes nos últimos meses, à medida que as tensões geopolíticas aumentam no final de janeiro, por exemplo, a onça de ouro ultrapassou os US$ 5.100. A subida tem provocado a retomada de projetos suspensos de ouro em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Quando anunciou a venda dos ativos no Brasil para a CMOC, o CEO da Equinox Gold, Darren Hall, disse que a negociação era importante para quitar empréstimos de US$ 800 milhões e, consequentemente, reduzir despesas da mineradora com juros.

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