Leapmotor vai produzir ultra híbridos em Pernambuco

SUVs C10 e B10 entram no mapa da eletrificação da Stellantis

Por Marcos Camargo Jr.
Às

Leapmotor vai produzir ultra híbridos em Pernambuco

A Stellantis confirmou a produção da Leapmotor no Brasil com uma estratégia que amplia o escopo da eletrificação local. Os SUVs B10 e C10 serão fabricados no Polo Automotivo de Goiana (PE), mesma unidade que hoje produz modelos de Jeep, Ram e Fiat Toro.

Mais do que a nacionalização dos modelos, o projeto marca o desenvolvimento da primeira tecnologia REEV flex do mundo, combinando eletrificação com o uso de etanol. Na prática, trata-se dos chamados “ultra híbridos”, em que o motor elétrico é responsável pela tração, enquanto o motor a combustão atua exclusivamente como gerador de energia para as baterias, sem ligação direta com as rodas.

Essa arquitetura, já em expansão no mercado chinês, passa a ser adaptada às condições brasileiras com a introdução da tecnologia flex. O objetivo é aumentar a eficiência energética e reduzir a dependência de infraestrutura de recarga, mantendo a possibilidade de abastecimento com etanol, combustível com menor impacto de carbono no país.

O anúncio foi feito em São Paulo e integra a estratégia de eletrificação da Stellantis na América do Sul. Segundo Herlander Zola, presidente da companhia na região, o desenvolvimento do sistema REEV flex está sendo conduzido pelo time local de engenharia, com apoio do Stellantis Tech Center, reforçando o papel do Brasil como polo de desenvolvimento.

A chegada da Leapmotor também amplia o portfólio da Stellantis no país, que atualmente não conta com híbridos plenos ou plug-in produzidos localmente. Hoje, a eletrificação da empresa está concentrada em sistemas híbridos leves: Fiat Pulse e Fiat Fastback utilizam arquitetura 12V, enquanto Jeep Renegade e Jeep Commander já adotam sistema 48V. O REEV flex surge como um passo intermediário mais avançado nesse processo.

Para viabilizar a produção dos novos modelos, a fábrica de Goiana passa por expansão e adaptação industrial. O complexo pernambucano é um dos principais polos da Stellantis fora da Europa e ganha papel estratégico na introdução de novas tecnologias.

A proposta dos sistemas REEV flex é combinar autonomia elevada com menor dependência de recarga externa, criando uma alternativa entre os elétricos puros e os híbridos tradicionais — especialmente em mercados onde a infraestrutura ainda é limitada.

Ciclo de investimentos da Stellantis no Brasil

O projeto integra o maior ciclo de investimentos já anunciado pela Stellantis no país, com cerca de R$ 30 bilhões previstos entre 2025 e 2030.

O plano inclui modernização industrial, desenvolvimento de novas plataformas, ampliação da engenharia local e nacionalização de tecnologias eletrificadas. Além de Goiana (PE), os investimentos contemplam unidades como Betim (MG) e Porto Real (RJ), consolidando o Brasil como um dos principais centros globais da companhia.

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