Livro sobre o arquiteto e designer Renato Marques de Oliveira retrata seus projetos arquitetônicos!
Aos detalhes...

Foto: Divulgação
Encabeçado pela empresária Renata Mellão – fundadora do Museu A Casa a 30 anos - o projeto do livro sobre o arquiteto e designer Renato Marques de Oliveira (em memória) nasceu logo após sua morte, em 2011, aos 60 anos. Chegou a ser interrompido, hibernou por mais de dez anos, e foi retomado a todo vapor em 2023.
Com projeto gráfico e publicação pela editora Superbacana+, com entrevistas e textos cuidados por Rita Corradi, fotos de Tuca Reinés, o livro com 392 páginas é fruto de profunda pesquisa sobre o trabalho de Renato Marques, pois não havia um registro sistemático. Foram mais de trinta entrevistas com clientes, familiares e amigos como Cássio Marques de Oliveira, Maria Alice Solimene, Joyce Pascowitch, João Carrascosa, Isabella Prata, Vania Toledo, Renato De Cara, Elisa Stecca, entre outros.
No ano em que Renato completaria 75 anos de idade, e que se comemora duas décadas do casa hotel Vila Naiá (Praia de Corumbau, sul da Bahia, um projeto de sua autoria especialmente para a proprietária Renata Mellão), o livro retrata seus projetos arquitetônicos e descreve com riqueza de detalhes as atitudes que tinha além de sua profissão, com grande especialidade em casas de campo, mas também toda sua visão sobre modos de viver, que se transforma em uma saudosa homenagem. Sua referência era a natureza, e o que tinha em comum com ela.
Renato misturava a simplicidade da casinha de colono com o refinamento do casarão, sem a menor cerimônia. Valorizava o trabalho manual, era barroco, desenhava móveis, adorava um ferro-velho. A funcionalidade era uma grande preocupação.
Renato Marques de Oliveira nasceu em 24 de fevereiro de 1951 na cidade de São Paulo (SP), em uma tradicional família de origem portuguesa. Segundo de três filhos de Dr. Alípio e dona Lila, estudou no Colégio Campos Salles. As férias escolares eram passadas na Fazenda Cachoeira, em Mirandópolis, interior do estado, residência dos avós paternos.
Frequentou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (FAU Santos), a University of York, Inglaterra, e depois fixado em São Paulo trabalhou com a decoradora de interiores Cida Fontana, antes de abrir seu próprio escritório. O interesse por desenho de mobiliário o levou à Parsons School of Design em Nova York, uma das mais renomadas escolas de design do mundo, e estudou minuciosamente a anatomia humana, bem como o corpo do homem brasileiro, para criar assentos adequados ao nosso biótipo, diferente do europeu, em quem, até então, era baseada a maioria das cadeiras fabricadas no país.
Novamente no Brasil, fundou o Estúdio Erre, dedicado à criação de móveis especiais, comandando-o por cinco anos. Entre 1987 e 1992, Renato conduziu a área criativa do Estúdio em sociedade com Raffaella Perucchi e Ronaldo Ferré. De um simpático sobrado na rua Sampaio Vidal, no bairro Jardim Paulistano, em São Paulo, saíram sofás, poltronas, bancos e principalmente cadeiras, logo reconhecidos pelas premiações da época, incluindo a 2ª edição do Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira.
Após uma temporada na Itália, comprou terras em Joanópolis, interior de São Paulo, e concebeu seu sítio nos mínimos detalhes. A casa, muito charmosa, inteiramente construída com madeira de demolição, marcou sua transição para a arquitetura rural. Os convites para projetar residências no campo continuavam a chegar. A transição para este estilo foi um resgate da vivência de infância. As casas projetadas por Renato tinham um pouco das habitações dos antigos colonos, especialmente pela utilização de materiais locais: pedra, terra, areia. Com a repercussão de seu primeiro projeto litorâneo, o hotel Vila Naiá, no sul da Bahia, passou a ser procurado também para moradias praianas.
Em 2005, associou-se ao arquiteto Daniel Fromer. “Alugamos uma simpática casa de vila em frente ao Parque Buenos Aires, em Higienópolis, e montamos um escritório de verdade, onde permaneci por mais cinco anos após sua morte. Fizemos juntos ao menos vinte projetos”.
Todas as casas de Renato têm histórias, têm uma relação íntima com o lugar e com seus proprietários com os quais, aliás, estabelecia uma relação ímpar ao propor um pensar grande ou um devaneio conjunto, antes do sonho se tornar realidade.


