Lula cobra entrega de Ramagem após EUA classificarem PCC e CV como terroristas
Presidente afirmou que o Brasil está disposto a cooperar no combate ao crime organizado

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Um dia depois de o governo dos Estados Unidos anunciar que vai classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29) que o Brasil está disposto a cooperar com Washington no combate ao crime organizado. A medida norte-americana deve entrar em vigor em 5 de junho.
Lula, no entanto, cobrou que os Estados Unidos entreguem brasileiros que estão no país e são alvo de pedidos ou cobranças do governo brasileiro. Entre os nomes citados pelo presidente está o do ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
“O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado e vamos começar pelo seu estado, o Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiro. Vamos começar por aí, vamos começar por entregar o Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá”, declarou Lula.
O presidente também citou Ricardo Magro, dono da Refit, apontado por Lula como “o maior contrabandista de combustível” do país. Segundo o petista, o nome e a fotografia da casa de Magro foram entregues ao presidente norte-americano, Donald Trump, em encontro realizado no início deste mês.
“Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão nos EUA. Não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta”, afirmou Lula.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o Palácio do Planalto afirmou que medidas unilaterais, sem negociação com o governo brasileiro, podem enfraquecer o combate ao crime organizado. Segundo o governo, ações desse tipo podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias e criar riscos para pessoas sem envolvimento com atividades criminosas.
O comunicado também afirma que a decisão norte-americana pode afetar a economia, o sistema financeiro e mecanismos de pagamento do Brasil, como o Pix. Para o Planalto, a cooperação internacional deve ocorrer por meio de acordos entre os países, sem medidas consideradas pelo governo como interferência externa.
A decisão dos Estados Unidos foi anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Com a designação, PCC e CV passam a ser enquadrados nas categorias de organizações terroristas estrangeiras e de terroristas globais especialmente designados. A classificação permite restrições financeiras e outras medidas contra pessoas e entidades ligadas aos grupos, de acordo com a legislação dos Estados Unidos.
No Brasil, PCC e Comando Vermelho são tratados como organizações criminosas. As facções não estão, formalmente, na lista de organizações terroristas reconhecidas pelo governo brasileiro.


