Lula desiste de compra de aeronoave presidencial temendo desgaste eleitoral

Presidente já havia manifestado desejo de compra de um novo avião após enfrentar situações de risco em voos oficiais

Por Da Redação
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Lula desiste de compra de aeronoave presidencial temendo desgaste eleitoral

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desistiu dos planos de compra de uma nova aeronave presencial. Mesmo como oerçamento em mãos, o Planalto optou por deixar o assunto de lado, evitando possível impacto negativo da compra em ano eleitoral.

O processo de compra ganhou fôlego no ano passado. A cotação de preços junto ao mercado internacional foi feita pelo Ministério da Defesa e pela Aeronáutica. Fontes cientes das discussões internas afirmaram que Lula reconsiderou a compra pois está no último ano do mandato e buscando a quarta posse nas eleições deste ano.

O presidente começa a direcionar seu foco à campanha presidencial. Em 2024 e 2025, Lula demonstrou publicamente o desejo de adquirir um novo avião, após enfrentar ao menos três episódios de risco em voos oficiais durante seu mandato.

Embora o Palácio do Planalto e o Ministério da Defesa não tenham divulgado valor do orçamento feito, o custo é alto e estimado entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, de acordo com cotações do mercado. O valor alto e a escassez do tipo de avião no mercado foram considerados os principais imbróglios para a compra. A aquisição também aumentaria os gastos na campanha presidencial, considerando que custos de viagens para atos de campanhas devem ser pagos pelo partido e um avião mais moderno poderia aumentar o valor das viagens.

Como presidente, mesmo durante período de campanha, Lula só deve viajar em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e acompanhado de agentes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança do chefe do Executivo federal.

O processo de aquisição pode durar meses, devido à especificidades da fabricação. A produção de aeronaves adaptadas para líderes mundiais e não acompanha a demanda global. Além disso, haveria o período para a entrega da aeronave. Fontes cientes das conversas afirmaram que o processo não seria concluído em menos de um ano.

Desde o incidente no México em 2024, a aeronave do presidente opera com uma turbina alugada. O Ministério da Defesa buscou garantir recursos para agilizar a chegada de uma nova turbina, mas sem sucesso. Havia uma previsão para janeiro, mas sem pagamento, o Planalto estima a espera de mais um mês até aquisição do equipamento.

A dificuldade na compra acontece por uma insatisfação interna nas Forças Armadas após restrições no orçamento, afetando investimentos e manutenção de equipamentos. As despesas do Ministério da Defesa estão em alta, principalmente por despesas com pessoal. Em 2027, o orçamento da pasta será fechado em R$ 141 bilhões. Deste valor, R$ 107 bilhões devem ser destinados a pagamento da folha.

A aeronave Airbus A319CJ foi adquirida há 20 anos, no primeiro mandato de Lula. Em 2024 sofreu uma falha nas turbinas no México. A aeronave permaneceu no ar por quase cinco horas sobrevoando a Cidade do México para gastar combustível e garantir um pouso seguro. 

Já em 2025, em março, a aeronave precisou arremeter durante tentativa de pouso na cidade de Sorocaba, em São Paulo. A manobra teve de ser realizada devido a fortes ventos. Em outubro, no Pará, a comitiva precisou trocar de aeronave devido a uma falha no motor antes da decolagem. Segundo Lula, o desembarque foi feito devido a um receio de incêndio.

O presidente demonstra o desejo de aquisição de um avião com maior autonomia para voos internacionais, encurtando o tempo de deslocamento e gerando mais segurança nos roteiros, com menos pousos e decolagens. 

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