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Marcas de roupas queridas por influeciadoras são autuadas por trabalho escravo

Uma menor de idade estava entre as pessoas em situação de trabalho forçado

Por Da Redação
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Marcas de roupas queridas por influeciadoras são autuadas por trabalho escravo

Duas marcas de roupas conhecidas nas redes sociais e impulsionadas por influenciadoras digitais foram autuadas por uso de trabalho análogo à escravidão. As grifes Anne Fernandes e Lore foram responsabilizadas após fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego resgatar 16 trabalhadores bolivianos — entre eles uma adolescente — em oficinas de costura em Minas Gerais. 

Segundo os auditores, os trabalhadores atuavam em condições precárias, com jornadas superiores a 12 horas diárias, em ambientes abafados, sem ventilação adequada e com instalações elétricas irregulares, o que representava risco à segurança. Os relatos apontam que os costureiros recebiam entre R$ 20 e R$ 80 por peça, enquanto produtos das marcas eram vendidos por valores que chegavam a milhares de reais. 

Ainda de acordo com a fiscalização, as empresas mantinham controle sobre a produção, com visitas frequentes às oficinas para monitoramento, entrega de materiais e acompanhamento das encomendas. Por isso, foram consideradas responsáveis diretas pelas condições de trabalho encontradas. Os auditores também destacaram que parte dos trabalhadores vivia nos próprios locais de produção, em situação degradante. Há registros de crianças nas oficinas e até de um bebedouro instalado sobre um vaso sanitário. 

As investigações apontam ainda que as marcas utilizavam uma rede ampla de oficinas terceirizadas, muitas delas com mão de obra de imigrantes em situação de vulnerabilidade, o que reforça o modelo de produção baseado em precarização. Especialistas ressaltam que a responsabilidade das empresas vai além da terceirização.  “Não importa se o serviço é terceirizado. Ele faz parte da sua cadeia”, afirma a coordenadora do Fashion Revolution Brasil, Paula Leal. 

As duas empresas informaram que romperam contratos com as oficinas citadas e recorrem das autuações. Caso sejam mantidas, podem ser incluídas na chamada “lista suja” do trabalho escravo. O caso também levanta debate sobre o papel das influenciadoras digitais que promovem essas marcas. Para o Ministério Público do Trabalho, é necessário que haja responsabilidade social na publicidade feita nas redes.

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