Master emprestou R$ 458 milhões para empresa que queria comprar a Arena Fonte Nova, diz site
Crédito concedido à Revee Real State é citado em processo de liquidação do banco

Foto: San Júnior / EC Bahia / Divulgação
Documentos apresentados à Justiça pelo liquidante do Banco Master apontam que a Revee Real State, empresa envolvida na criação da SAF da Portuguesa e em projetos de aquisição de estádios no país, como a Arena Fonte Nova, em Salvador, recebeu um empréstimo de R$ 458 milhões da instituição financeira. A informação foi divulgada pela coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
A informação integra uma planilha anexada ao processo que pede o bloqueio de bens de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o processo, o financiamento foi concedido em 22 de março de 2024, com prazo de pagamento de cinco anos. Posteriormente, em 15 de agosto de 2025, o crédito foi cedido ao fundo Máxima FIM Crédito Privado 2 por R$ 600 milhões. De acordo com o liquidante, a operação fez parte de uma negociação de R$ 2,9 bilhões envolvendo a compra de cinco Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), quatro delas no valor de R$ 458,6 milhões.
Além da Revee Real State, a empresa iFLY Brazil também aparece como tomadora de crédito na documentação. A Revee afirma ser detentora da marca iFLY no Brasil. O liquidante sustenta que a família Vorcaro utilizava operações de empréstimo para retirar recursos do Banco Master e direcioná-los à própria família, alegação que fundamenta o pedido de bloqueio de bens.
A Revee ganhou projeção ao anunciar planos para reformar o estádio do Canindé, da Portuguesa, e adquirir dívidas de arenas esportivas para assumir o controle de empreendimentos como a Arena Fonte Nova, em Salvador, e a Arena das Dunas, em Natal. A empresa, no entanto, nunca detalhou a origem dos recursos que pretendia utilizar nesses projetos.
Oito dias após a operação envolvendo os créditos, foi deflagrada a Operação Carbono Oculto, que teve entre os alvos o empresário João Carlos Mansur, então presidente do conselho de administração da Revee e controlador da gestora Reag. A investigação impactou diretamente os planos da empresa, cujas ações sofreram forte desvalorização e levaram à renúncia de dirigentes. Entre os projetos da companhia estava a compra de dívidas de construtoras para assumir o controle de estádios, estratégia que já havia sido aplicada na negociação envolvendo a Arena do Grêmio.


