Médica explica dez coisas que você precisa saber sobre Covid-19 e obesidade

Artigo é da Presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade e especialista em Endocrinologia

[Médica explica dez coisas que você precisa saber sobre Covid-19 e obesidade]

FOTO: Reprodução

1. Em caso de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), a gravidade da doença Covid-19 aumenta de acordo com o nível da obesidade, ou seja, de acordo com o IMC (índice de massa corporal), tendo maior risco aqueles com IMC igual ou superior a 35 ou 40 Kg/m2.

2. As pessoas com obesidade, tal como as pessoas com diabetes mellitus, doenças cardiovasculares ou outras doenças crônicas, não tem maior risco de contrair a doença Covid-19, causada pelo coronavírus.

3. A obesidade contribui para a gravidade da doença Covid-19 e para uma maior necessidade de um leito na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI).

4. Além da obesidade (IMC> 40 kg/m2) e da idade, também foram identificados como fatores mais associados ao risco de hospitalização por Covid-19, a insuficiência cardíaca e a doença renal crônica, ambas muito recorrentes nas pessoas com obesidade e nas pessoas com obesidade e diabetes.

5. Os doentes mais graves de Covid-19 são aqueles com doenças prévias, como a hipertensão arterial, diabetes mellitus, doença respiratória crônica, doença cardiovascular e câncer, que também são mais prevalentes em pessoas com obesidade.

6. As pessoas com obesidade têm um risco aumentado de mais de 200 comorbilidades ou doenças associadas, incluindo mais de 10 tipos de câncer. Por exemplo: hipertensão arterial, pré-diabetes, diabetes mellitus, dislipidemia, doença renal, doença cardiovascular, apneia do sono, patologia osteoarticular, síndrome do ovário poliquístico, infertilidade, entre outras.

7. As pessoas com obesidade e com Covid-19 têm um elevado risco de hospitalização, doença mais grave e mortalidade, provavelmente devido à inflamação crônica de baixo grau e alteração da resposta imune à infecção, mas também devido ao aumento das comorbilidades cardiometabólicas e pulmonares associadas à obesidade descritas acima.

8. A quarentena, o confinamento, o isolamento social e familiar, a instalação do medo da infecção, o estresse e a ansiedade relativas ao futuro poderão ter potenciado comportamentos desadaptados e distorção cognitiva, sofrimento psicossocial com impacto no comportamento alimentar e redução da atividade física, com consequências no agravamento da obesidade, na saúde e no bem-estar das pessoas com obesidade e pré-obesidade a curto e a longo prazo, mesmo naquelas ainda sem outras comorbilidades associadas ou ainda não diagnosticadas da obesidade.

9. A obesidade é uma doença crônica, persistente, grave, complexa e recorrente, e que é importante prestar atenção especial aos novos desafios colocados pela pandemia, para evitar consequências ainda maiores.

10. Na fase que não houver mais confinamento, há que o fazer de acordo com as regras de segurança e proteção individual e coletiva, refletir sobre o que aconteceu nos últimos meses e tirar lições para o futuro. Modificar a nossa vida, que faz sentido ser vivida de uma forma plena, com estilos de vida saudáveis em termos alimentares, de atividade física e da higiene do sono, e tentar minimizar o estresse psicológico.


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