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Mudança de embalagem faz o consumidor pagar 20% mais caro pelos produtos, aponta levantamento

A estratégia da "reduflação" tornou-se cada vez mais comum na indústria

Por Da Redação
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Mudança de embalagem faz  o consumidor pagar 20% mais caro pelos produtos, aponta levantamento

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um levantamento baseado em 40 milhões de notas fiscais de compras em um supermercado online revelou que as mercadorias chegam a perder até 18% do seu conteúdo, o que resulta em um aumento de até 20% no preço por quilo. A prática conhecida como "reduflação", que consiste na redução do conteúdo de produtos sem a correspondente redução de preço, tornou-se uma estratégia cada vez mais comum na indústria. As informações são do portal R7.

Essa tática é adotada pelas empresas como forma de contornar os aumentos nos custos de produção, como a elevação do preço das matérias-primas, sem repassar diretamente a alta para o consumidor. Assim, aparentemente, os preços se mantêm estáveis, evitando a possível troca de marca por parte do cliente. No entanto, na prática, o consumidor acaba pagando mais caro, levando para casa uma quantidade menor do produto.

Anna Carolina Fercher, head of success insights da Horus Inteligência de Mercado, empresa que realizou o levantamento dos dados, afirma que essa prática é mais comum na indústria alimentícia e de produtos de limpeza, e persiste ao longo do tempo. Ela destaca que, em um cenário ideal, a redução no volume ou peso de um produto deveria ser refletida em uma diminuição do preço.

No entanto, a reduflação não é aplicada de forma transparente ao consumidor. Embora existam obrigações legais que as marcas devem seguir, como informar claramente sobre a mudança de peso ou quantidade na embalagem, uma parcela da indústria não segue essas regras como deveria.

O estudo apontou que o chocolate foi o produto mais impactado, com uma redução de 18,5% no volume e um aumento de 10% no preço por quilo no primeiro semestre de 2023. Em alguns produtos, como barras de chocolate, as variações ao longo do tempo são mais perceptíveis, indo de 200 g para 100 g e, em alguns casos, até 80 g ou 90 g. Para o consumidor identificar se está pagando mais caro do que antes, é necessário calcular o preço por quilo do produto. Essa prática afeta não apenas o bolso, mas também leva a compras mais frequentes, já que a menor quantidade muitas vezes não dura até o final do mês, resultando em um crescimento das compras de emergência.

As regras estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) garantem o direito das empresas de modificar a quantidade ou ingredientes de um produto, desde que o consumidor seja devidamente informado. A legislação exige que o aviso permaneça na embalagem por seis meses, em letras maiúsculas, negrito, com contraste de cores e em um tamanho de fácil visualização. Empresas que não seguem essas regras podem ser autuadas e multadas. A informação é crucial para o consumidor fazer escolhas conscientes.

A prática da reduflação tem gerado reclamações nas redes sociais desde 2018, especialmente sobre produtos como chocolates e papel higiênico. Com a pandemia, essa tendência se intensificou, afetando uma variedade de produtos do cotidiano. Em todos os casos, as empresas afirmam estar em conformidade com as leis vigentes.

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