"Não aceitamos a banalização do ódio", entidades do Bairro da Paz repudiam discurso de presidente do Missão
Davi Pirajá defendeu "chacinas" e "banho de sangue" no Bairro da Paz e Planeta dos Macacos

Foto: Reprodução/ redes sociais
O Fórum de Entidades do Bairro da Paz, nesta segunda-feira (28), publicou uma nota de repúdio contra o incentivo a "chacinas" feitas pelo presidente do partido Missão, Davi Pirajá, no último domingo (27).
Ao lado de Renan Santos, Davi defendeu a realização de "chacinas" nas comunidades de Bairro da Paz e de Planeta dos Macacos. "Fazer um banho de sangue com todo mundo do Comando Vermelho."
Em resposta, a Entidade afirmou que não há espaço para banalização de chacinas e reafirmou a história do Bairro da Paz, que tem quase 45 anos de existência.
"O Bairro da Paz não é uma estatística, não é um território descartável e muito menos um alvo para discursos de extermínio", disse
O coletivo também ressaltou a importância do território que foi construído por famílias oriundas do interior da Bahia. "Aquelas famílias não chegaram ao território para pedir violência. Chegaram em busca de moradia, dignidade e do direito de construir suas vidas".
Segurança Pública
Não é a primeira vez que integrantes do Partido Missão, a partir da filosofia do plano de governo de Renan Santos, fazem discursos incentivando a violência e "banhos de sangue" em comunidades como medidas de enfrentamento ao crime organizado.
Durante sabatina na Rede Globo, no mês passado, Renan Santos afirmou que, caso reeleito, fará "jorrar" sangue. "O sangue que tem que jorrar é o do bandido. (…) Falo do banho de sangue, pode não ser a coisa mais bonita de falar, mas bandido não pode ser juiz da sua vida, juiz dos seus sonhos”, disse o candidato.
Sobre isso, o coletivo enfatizou que o enfrentamento à criminalidade e os desafios de segurança pública demandam inteligência, prevenção do Estado e respeito à Constituição.
Diante da situação, o Fórum exigiu providências dos órgãos competentes e informou que, devido à repercussão do episódio, enviou um pedido de investigação à Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia.
"Por isso, solicitamos que os órgãos competentes apurem rigorosamente os fatos e adotem as providências cabíveis, respeitando o devido processo legal e as competências institucionais de cada órgão."
A repercussão do episódio já motivou, inclusive, pedido de investigação encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia por procurador que apontou possível enquadramento da fala no artigo 287 do Código Penal, questão que deverá ser analisada pelas autoridades competentes".


