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”Não somos objetos nem seremos silenciadas”: Eliete Paraguassu critica ACM Neto e aponta sequência de desrespeito às mulheres

Candidata a deputada federal pelo PSOL reage à postura de ACM Neto contra a jornalista Basília Rodrigues durante sabatina da TV Aratu

Por Da Redação
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”Não somos objetos nem seremos silenciadas”: Eliete Paraguassu critica ACM Neto e aponta sequência de desrespeito às mulheres

A candidata a deputada federal e vereadora de Salvador Eliete Paraguassu (PSOL) criticou duramente a postura do candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) durante sabatina realizada pela TV Aratu nesta segunda-feira (31). Para a psolista, a forma como o ex-prefeito reagiu aos questionamentos da jornalista Basília Rodrigues, do SBT News, revela uma postura machista e desrespeitosa diante de uma profissional que exercia o papel de questionar e confrontar o candidato com dados sobre sua gestão.

Durante a entrevista, Basília questionou ACM Neto sobre as prioridades adotadas durante os oito anos em que comandou Salvador, mencionando críticas de que sua administração teria privilegiado intervenções urbanísticas e estéticas em detrimento de serviços essenciais. Na resposta, o candidato afirmou que a pergunta era “resultado do seu desconhecimento em relação a Salvador” e, em diferentes momentos, sugeriu que a jornalista visitasse a capital baiana para conhecer melhor a cidade.

A jornalista rebateu apresentando dados sobre a redução populacional registrada em Salvador entre os censos de 2010 e 2022. Segundo o IBGE, a capital baiana perdeu cerca de 258 mil habitantes no período. Ao longo da sabatina, ACM Neto também classificou parte dos questionamentos feitos pela profissional como “provocações”.

Para Eliete Paraguassu, o embate ultrapassa uma divergência entre entrevistado e entrevistadora e deve ser observado a partir da forma como mulheres são tratadas quando ocupam espaços de questionamento e poder.
“Uma jornalista fazer uma pergunta incômoda não é provocação. É jornalismo. Tentar responder a uma mulher desqualificando seu conhecimento, em vez de enfrentar os dados e o conteúdo da pergunta, reproduz uma velha lógica machista de tentar diminuir a nossa voz quando ela incomoda. Basília estava ali cumprindo o seu papel profissional e merece respeito. Machismo não é estratégia política e não pode ser naturalizado no debate público”,afirmou Eliete.

”Não é um episódio isolado”

A candidata relacionou o episódio da sabatina ao ocorrido na última sexta-feira (28), quando mulheres nuas apareceram durante uma carreata da campanha de ACM Neto. Na ocasião, Eliete repudiou publicamente a situação e afirmou ser “inadmissível que o corpo feminino seja usado como instrumento de propaganda política ou como estratégia para chamar atenção para uma campanha”.

“Em poucos dias, assistimos a situações diferentes, mas que precisam provocar uma reflexão sobre como as mulheres são enxergadas e tratadas na política. De um lado, corpos femininos expostos em uma carreata; de outro, uma jornalista sendo desqualificada quando faz perguntas duras. Mulheres não podem ser tratadas como objeto quando convém e ter sua competência questionada quando ocupam o lugar da palavra e do enfrentamento. Nós exigimos respeito”, declarou.

Após o episódio da carreata, Eliete protocolou na Câmara Municipal de Salvador uma moção de repúdio, solicitando que fossem cientificadas instituições ligadas à defesa e à promoção dos direitos das mulheres, entre elas a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, a Casa da Mulher Brasileira, o Instituto Odara, a Rede de Mulheres Negras da Bahia e a Coletiva Mahin de Mulheres.

Para a candidata, combater práticas que objetificam, constrangem ou tentam descredibilizar mulheres também significa defender uma democracia na qual elas possam participar do debate público em condições de igualdade.

“Nós não somos objetos, atrações de carreata nem mulheres que precisam baixar a cabeça diante de quem ocupa ou pretende ocupar o poder. Somos sujeitas políticas, jornalistas, trabalhadoras, lideranças e cidadãs. Temos voz, capacidade de decisão e o direito de questionar. Quem pretende governar a Bahia precisa entender uma coisa básica: mulher se respeita”, finalizou.


 

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