Novo tarifaço: Trump 'rompe trégua com Lula' e provoca 'tempestade' no Brasil, diz imprensa internacional
Além da sobretaxa discutida, EUA classificou facções brasileiras como terroristas

Foto: Ricardo Stuckert/PR
A ameaça de sobretaxar o Brasil e a classificação de facções brasileiras como terroristas puseram fim à 'trégua' entre os presidentes Lula e Donald Trump, avaliou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada na última quarta-feira (3).
"Os dois anúncios romperam uma trégua que Lula e Trump pareciam ter estabelecido após a imposição de tarifas no ano passado — uma das maiores alíquotas sob a política comercial de Trump", diz a matéria, assinada por repórteres em Brasília e Londres.
O Financial Times atribuiu as medidas a "um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro", em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios feitos pelos Estados Unidos.
Ainda segundo o jornal, a intenção das movimentações de Flávio é "se alinhar com políticos pró-Trump que venceram várias eleições recentes na América Latina".
A reportagem fala também que a atual postura de Trump provocou uma 'tempestade política' no Brasil, que levou Lula a usar as medidas recentes para atacar o senador, a quem acusou de 'trair' o país. O texto cita ainda que o petista chamou as possíveis novas tarifas de 'TariFlávio'.
Em análise atribuída ao consultor político Thomas Traumann, o jornal lembra que a oposição de Lula ao primeiro tarifaço 'o tornou mais popular', assim como aconteceu com o líder canadense Mark Carney, que venceu a eleição fazendo uma campanha de enfrentamento aos EUA.
O veículo também cita, por outro lado, que Flávio foi "colocado na defensiva pela proposta de tarifas", em razão do vídeo em que o pré-candidato do PL declara ter pedido a Trump que não impusesse novas taxas ao Brasil.
Ainda de acordo com a reportagem, Trump "não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro", mas deu sinais que foram "amplamente interpretados no Brasil como indícios de apoio a Bolsonaro", a exemplo da foto publicada pelo presidente americano ao lado do '01' da família Bolsonaro o chamando de "jovem inteligente que ama seu país [o Brasil]".
Na visão de Traumann, o atual contexto também revela que os EUA "querem interferir na eleição brasileira contra a reeleição do presidente Lula".
Relembre
No último dia 28, os Estados Unidos anunciaram que estavam classificando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, uma medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e rejeitada pelo governo Lula, que teme intervenções militares americanas no país.
Na terça-feira (2) o governo dos EUA anunciou a nova proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, criticando o Pix e práticas do governo brasileiro 'irrazoáveis' e que 'oneram ou restringem o comércio dos EUA'.


