O lado podre do poder: Vorcaro e a imprensa

Por Da Redação
Às

Atualizado
O lado podre do poder: Vorcaro e a imprensa

Foto: Reprodução

​A quebra de sigilo telefônico e telemático do empresário Daniel Vorcaro — embrenhado até a alma em uma série de problemas ligados ao Banco Master, ao STF, a políticos, parceiros e áulicos — desnudou um modus operandi peculiar a organizações mafiosas, usado por muitos dos poderosos de plantão que se acham acima do bem e do mal. Variando entre a sedução financeira (oferta de festas, passeios, "caronas" de avião e benesses das mais diversas) e o uso de perseguição, intimidação, ameaças e pressões de toda espécie, no caso de Vorcaro, descobriu-se uma inusitada pretensão de constranger e calar, com seus "Sicários", jornalistas e pessoas que contrariem seus interesses ou se oponham aos seus objetivos de aumentar o poder e ampliar posses.

​Em um esforço desenfreado, os "Vorcaros" vivem em investidas audaciosas para conseguir dinheiro e poder, com o objetivo abjeto de beneficiar agentes públicos de todas as esferas que se comprazem em manter relações espúrias com esse tipo de gente, uma vez que parecem não ter limites na avidez da ganância. Baseado no poder de sua conta bancária ou na visão distorcida de que "vou fazer porque sou poderoso e nada vai acontecer comigo", Vorcaro cercou-se de agentes públicos e de indivíduos considerados "pau para toda obra" para atender aos seus desígnios. Praticou um arsenal de ações violentas que, em sua concepção, poderiam parar a veiculação de notícias sobre suas falcatruas.

​Como diz o ditado: "Não há mal que dure para sempre". Após tempos acreditando na impunidade por ter as "costas quentes", eis que surge a decisão do Ministro André Mendonça pelo seu retorno à prisão, desta vez de forma preventiva. A medida deixa um recado aos audaciosos de plantão que julgam estar imunes à lei e aos políticos que se permitem envolver nessas relações e enredos tóxicos, dos quais certamente sairão — no mínimo — chamuscados. Vorcaro perdeu-se ao ultrapassar todos os limites.

​Fica a lição e o alerta aos que se perdem na arrogância do poder e do dinheiro, e também aos "ingênuos" de plantão: dinheiro na conta e amiguinhos poderosos não são suficientes para evitar o xilindró.

Um dia, a casa cai!

​Carvalhada 1: O "Método Quércia" de intimidação e a inovação de Vorcaro

​Comenta-se nas rodas jornalísticas que Vorcaro inovou. Em vez de entrar com ações judiciais contra os jornalistas que pretendia intimidar — manobra idealizada por Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo, que consistia em asfixiar profissionais com custos advocatícios e amolações judiciais —, ele resolveu simplificar. Partiu para a intimidação no que se diz em "baianês": na "mão grande". Tentou dar um "baculejo" ou "corretivo" em um jornalista da Globo.

​A "mão grande", contudo, voltou-se contra ele com a "baculejada" que acabou tomando. E viva a imprensa independente!

​Carvalhada 2: Pagou, publicou!

​Outra tática suja usada por Vorcaro está escancarando o lado podre da imprensa: sites, jornais e colunistas que recebiam dinheiro para retirar notícias que o empresário achava que podiam prejudicar sua imagem, ou que eram pagos mensalmente para produzir conteúdo benéfico a ele.

​Este vexame e as possíveis punições que possam chegar a estas pessoas e veículos serão um alívio para quem trabalha dignamente e não vende (caro ou barato) informações e espaços que devem ser usados para o esclarecimento da sociedade sobre o que acontece de verdade ou sobre realmente quem é quem na esfera social, política ou empresarial!

Claro que o cheiro ruim vai subir, mas nada que uma boa faxina, mostrando quem é quem na fila do jornalismo sério, não faça desaparecer!

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:redacao@fbcomunicacao.com.br
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos

Faça seu comentário