Randolfe Rodrigues defende quebra de sigilos e diz que decisão de Alcolumbre encerra impasse na CPMI do INSS
Líder do Governo negou que quebra de sigilo afete relação do governo com legislativo em outros temas.

Foto: Lula Marques/ Agência Braasil.
BRASÍLIA - O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (3) em coletiva de impressa que a controvérsia em torno da votação de requerimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS está superada. Segundo ele, a decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, pacificou o entendimento sobre o quórum necessário e encerrou o impasse regimental que marcou a última sessão do colegiado.
“Roma locuta, causa finita. Roma falou, está encerrado”, declarou o senador, ao reforçar que o governo acata a interpretação dada pela Presidência do Congresso. De acordo com Randolfe, a divergência não estava nos 87 requerimentos apresentados pelo relator e pelo presidente da CPMI que incluíam quebras de sigilo, mas na não inclusão de outros 25 pedidos considerados estratégicos pela base governista.
Entre os requerimentos defendidos pelo líder do governo está a quebra de sigilo de investigados que, segundo ele, teriam ligação com esquemas envolvendo o INSS. Randolfe citou nominalmente o empresário conhecido como Zetel e integrantes de empresas apontadas como tendo interface com operações financeiras suspeitas.
"A raiz do problema ocorrido na última CPMI foi causada pela própria presidência e pelo relator da CPMI. Nós queríamos que se somasse aos 86 requerimentos, 87 da lavra do senhor relator e do senhor presidente, outros 25 que nós compreendemos que eram fundamentais para a investigação. Esses requerimentos diziam respeito, por exemplo, à Clava Forte Bank, essa fintech com nome de Bank, que no nosso entender participa. Tem interface com os esquemas do INSS e tem interface também com os esquemas envolvendo o senhor Vocaro e o seu banco. Nós queríamos quebrar o sigilo do senhor Zetel", disse
O senador também mencionou a necessidade de aprofundar investigações sobre movimentações financeiras e uso de aeronaves durante a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro, além da quebra de sigilo de pessoas ligadas ao entorno familiar do ex-chefe do Executivo.
“Não tinha e não tem nenhum obstáculo à informação ou à quebra de sigilo. O sigilo do filho do atual presidente já foi quebrado desde janeiro e está à disposição da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça”, afirmou.
Questionado se a decisão poderia afetar a relação entre o presidente do Congresso e o governo federal, inclusive em votações estratégicas, Randolfe negou qualquer correlação: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não tem nenhuma relação com outros temas da agenda do governo”, disse.


