Registros de fraudes financeiras crescem 10% após novas regras do Banco Central
Levantamento aponta mais de 9 milhões de ocorrências no primeiro semestre de 2026; celulares e Pix concentram a maioria das tentativas de golpes.

Foto: Agência Brasil
O número de registros de fraudes financeiras no Brasil aumentou 10,26% no primeiro semestre de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. Os dados são de um levantamento da Quod, empresa de inteligência de dados para o mercado de crédito, divulgado neste sábado (18).
Segundo o estudo, o crescimento está relacionado ao fortalecimento dos mecanismos de detecção após a entrada em vigor da Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater golpes.
De acordo com a Quod, o Registro Unificado de Fraudes (Rufra), base colaborativa utilizada no levantamento, reúne informações compartilhadas por bancos e empresas para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas.
Entre os principais dados do levantamento estão:
mais de 9 milhões de indícios de fraude no primeiro semestre de 2026;
alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025;
78% das fraudes ocorreram por meio de celulares;
94% envolveram contas correntes;
85% utilizaram o Pix;
40% dos casos tiveram origem em golpes de engenharia social;
3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes;
cerca de 799 mil sofreram golpes duas ou mais vezes.
Para o diretor de Produtos e Dados da Quod, Danilo Coelho, o aumento dos registros reflete uma maior capacidade de identificação dos golpes.
"O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema", afirmou.
A pesquisa mostra ainda que a engenharia social — quando criminosos manipulam psicologicamente as vítimas para obter dados ou induzi-las a realizar transferências — respondeu por 40% das ocorrências, o equivalente a mais de 3,6 milhões de registros.
Os jovens entre 18 e 34 anos foram os mais afetados, representando 49,06% das vítimas. Pessoas de 35 a 49 anos somam 29,98% dos casos. Além disso, 58% das vítimas recebem até dois salários mínimos.


