Relatório da PF aponta que Jaques Wagner teria oferecido gabinete para reunião com ex-sócio de Vorcaro
Em troca de mensagens com Augusto Lima, o senador sugere gabinete como local "mais protegido e discreto"

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) fazia usava o próprio gabinete no Senado para encontrar gestores do Banco Master. As informações estão em um documento tornado público após a derrubada do sigilo da operação que apura possíveis ligações entre o parlamentar e o banco.
Segundo a corporação, as potenciais evidências foram encontradas em um aparelho celular de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Os dados foram divulgados pela coluna Manoela Alcantara no Metrópoles.
Teriam sido encontradas mensagens trocadas entre Wagner e Lima marcando encontros no gabinete do petista. Há registro de pelo menos duas reuniões, em 30 de abril e 27 de agosto de 2024.
Em uma conversa ocorrida no dia 29 de abril, o senador e Augusto discutiram os detalhes do encontro que ocorreria no dia seguinte. Segundo a PF, o senador explicou como ocorreria o encontro e sugere o gabinete como local mais seguro, além de dizer que o advogado-geral da União, Jorge Messias, também participaria.
“Ô Guga [Guga Lima, apelido de Augusto], eu falei com o [Jorge] Messias agora e o presidente [Lula] infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões. Então ele pediu se poderia ser horário de almoço. Eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto pra todo mundo”, diz Wagner.
“Para ele é natural tá lá, você [Augusto] já teve várias vezes lá com André [Kruschewsky], então não teria tanta atenção chamada. Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação”, continua.
A PF afirma que o encontro do dia 30 de abril teve o objetivo alinhar interesses estratégicos e regulatórios do Banco Master. Apesar de ser citado, não há confirmação de que Messias estivesse presente no encontro.
Em nota ao Metrópoles, o AGU negou ter participado.


