Setor da Cachaça fecha com queda de consumo de 23,8% e tem pior resultado nos últimos cinco anos
Fechamento de bares e restrições no consumo de bebidas estão associados ao resultado

Foto: Agência Brasil
O setor da Cachaça, que representa mais de 72% do volume no mercado de destilados no Brasil, teve um resultado negativo em 2020, fechando com uma queda de consumo de 23,8%. O percentual é considerado o pior nos últimos cinco anos, segundo dados do Euromonitor International, que reúne análises do mercado global.
A retração foi impulsionada negativamente devido ao fechamento dos bares e as restrições relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas na pandemia da covid-19, conforme informou o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC). No entanto, o setor já vinha sofrendo com sucessivos desgastes, como o aumento na tributação do produto, que, em alguns casos, superou o aumento de 80%.
“A Cachaça é hoje um dos produtos mais taxados do Brasil. Considerando apenas os principais impostos (PIS, COFINS, ICMS e IPI) e, com base em alíquotas nominais, tendo como referência o estado de São Paulo, a carga direta do setor é de 59,25%. Considerados impostos diretos e indiretos esse número ultrapassa 80%”, disse o diretor executivo do IBRAC, Carlos Lima.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 1.086 estabelecimentos produtores de Cachaça e Aguardente em 835 municípios, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Na comparação dos dados do MAPA com o Censo Agropecuário de 2016 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mercado da Cachaça é composto por 90,15% de produtores informais, o que também reflete nos impactos sofridos pelo setor.
“A categoria de cachaças no Brasil, apesar de representar a grande maioria dos destilados consumidos, ainda é muito dependente do consumo fora do lar, em bares e restaurantes, e vem sofrendo com a competição de novos produtos que entraram no mercado recentemente, como o gim e o aumento no consumo de uísque. Além disso, é uma categoria que opera com preços mais baixos, o que prejudica a margem e a faz sensível às mudanças drásticas do mercado, como foi o caso em 2020, com a pandemia”, disse o analista de Alcoholic Drinks da Euromonitor International, Rodrigo Mattos.


