Terreno de Wagner teve valorização de 11.400% após Via Metropolitana, projetada por ele
Venda do lote, avaliado em R$ 15 milhões, foi suspensa por ordem judical do STF

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
O terreno que o senador Jaques Wagner (PT) tentou vender um dia após ter sido alvo da operação Compliance Zero teve valorização real de 11.400% em 26 anos, de acordo com a Folha de S.Paulo. Comprada por R$ 28 mil em 2000, o lote foi negociado por R$ 15 milhões, mas teve a venda suspensa por uma ordem judicial de bloqueio de bens emitida pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo documentos a que teve acesso o jornal, o terreno tem 51 mil metros quadrados, o correspondente a cerca de sete campos de futebol. Em valores corrigidos pela inflação, o imóvel foi adquirido por aproximadamente R$ 130 mil. Na reportagem, a Folha indica que a valorização da área, localizada em Camaçari, se deu após a consolidação da Via Metropolitana como novo eixo de expansão urbana da região metropolitana de Salvador (RMS).
A rodovia foi projetada em 2011, durante o mandato de Wagner como governado; em 2014, foi assinado o aditivo contratual que permitiu a obra; em 2015, já no governo Rui Costa (PT), as obras tiveram início; em 2018, a via, que recebeu um investimento de R$ 220 milhões, foi inaugurada.
O terreno negociado pelo atual senador integra a área onde será construído o Lagoons, condomínio residencial de alto padrão anunciado como o primeiro do país a ser integrado com um centro de treinamento de futebol. O empreendimento é desenvolvido pelo City Football Group, controlador majoritário da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Bahia, em parceria com a QPC Incorporadora e o Grupo Terere. A Lagoons Empreendimentos é a empresa responsável pelo projeto imobiliário.
Além do terreno, o STF suspendeu a venda de um apartamento de Jaques Wagner no Corredor da Vitória, em Salvador, negociado por R$ 10 milhões. Juntas, as transações totalizam R$ 25 milhões. Na eleição de 2018, o senador declarou patrimônio de R$ 3,3 milhões à Justiça Eleitoral.
Em nota à Folha, a Lagoons Empreendimentos afirmou que "trata-se de uma negociação realizada décadas antes da concepção do empreendimento Lagoons e, portanto, sem qualquer relação com o projeto atualmente em desenvolvimento". Declarou ainda que "são operações distintas, realizadas em contextos temporais diferentes e em estrita observância à legislação".
Na última terça-feira (21), o senador foi intimado pela Polícia Federal (PF) para prestar, em 7 de agosto, na investigação sobre o Banco Master. Ele nega irregularidades.
Relembre a operação
Durante a nona fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão contra o parlamentar, acusado de receber propina do Master ao ganhar do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco, um apartamento na capital avaliado em R$ 2,5 milhões.


