Trump diz que suspendeu novos ataques contra a Venezuela após regime libertar presos políticos
O anúncio ocorre um dia após o regime anunciar a libertação de presos políticos no país

MANOELLA SMITH
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (8) que suspendeu novos ataques contra a Venezuela porque, em suas palavras, Washington e Caracas estão "trabalhando bem juntos". O anúncio ocorre um dia após o regime anunciar a libertação de presos políticos no país.
Ao menos oito pessoas foram soltas, segundo a ONG venezuelana Foro Penal. A ditadura de Nicolás Maduro realizava detenções arbitrárias como forma de perseguição política, e opositores eram detidos sob acusações de terrorismo, conspiração e traição à pátria.
"A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como sinal de que está buscando a paz", afirmou o republicano em um post em sua rede, a Truth Social. "Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques que era anteriormente esperada, a qual tudo indica não será necessária."
A mobilização militar na região, porém, deve continuar, já que Trump afirmou que os navios de guerra enviados ao mar do Caribe permanecerão onde estão para garantir "ordem e proteção".
Diplomatas dos EUA viajaram nesta sexta a Caracas para avaliar a reabertura da embaixada americana na cidade, fechada desde 2019. A informação foi confirmada por um membro do governo, que falou sob condição de anonimato à agência de notícias AFP. O principal representante diplomático dos Estados Unidos em Bogotá, John McNamara, está entre os participantes da comitiva.
O número de pessoas liberadas ainda é menos de 1% do total de detenções realizadas nos últimos anos. A Foro Penal estima em 806 os presos por motivos políticos na Venezuela, mas o levantamento final pode ser ainda maior -a organização venezuelana Justiça, Encontro e Perdão, por exemplo, contabilizou mais de mil presos políticos no país em novembro do ano passado.
O candidato da oposição Edmundo González, visto como o vencedor da eleição de 2024 no país, celebrou a libertação das pessoas. "Ver o abraço daqueles que já se reencontraram me deixa profundamente feliz, e me coloco com respeito e proximidade ao lado dos que ainda estão esperando", disse em um post nas redes sociais. O seu genro, Rafael Tudares Bracho, está detido desde janeiro de 2025.
O anúncio da liberação dos presos foi feito na quinta-feira (8) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez -irmão da líder interina, Delcy Rodríguez. Ele disse que a decisão foi um "gesto unilateral de paz" e que, portanto, não teria sido acordado com nenhuma outra parte.
A renomada ativista Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania venezuelana e espanhola e que foi presa em fevereiro de 2024 ao tentar deixar a Venezuela, está entre os libertados. Ela estava detida no Helicoide, prisão rotulada por organizações de direitos humanos como "centro de tortura" da ditadura.
Outro libertado foi Enrique Márquez, ex-candidato à Presidência da Venezuela detido após denunciar irregularidades nas eleições de 2024, que deram um terceiro mandato a Maduro apesar de diversas evidências de fraude.
São as primeiras libertações sob Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos EUA. Ambos estão presos em Nova York.
Delcy participou na quinta-feira (8) de um ato em homenagem aos mortos durante a ação americana que levou Maduro. Numa aparente tentativa de afastar especulações de traição e de que a nova líder teria negociados com os EUA, ela disse que houve resistência das forças segurança da Venezuela.
"Aqui ninguém se entregou. Aqui houve combate e houve combate por esta pátria", disse ela durante a cerimônia. "Não estamos subordinados nem estamos submetidos. Temos dignidade histórica e temos compromisso e lealdade com o presidente Nicolás Maduro."


