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Varejo e construção recebem bem veto de Lula, mas criticam momento da decisão

Jogos começaram a absorver parte da renda do consumidor

Por FolhaPress
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Varejo e construção recebem bem veto de Lula, mas criticam momento da decisão

Foto: Ricardo Stuckert / PR

JOANA CUNHA E PEDRO S. TEIXEIRA (FOLHAPRESS) - O pacote de medidas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra as apostas online anunciado nesta sexta-feira (25) foi bem recebido entre diversos setores que se sentiram prejudicados quando os jogos começaram a absorver parte da renda do consumidor após a liberação da atividade no país.

As críticas se concentraram em relação ao momento da decisão do governo, considerado tardio e eleitoreiro por algumas entidades.

A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) divulgou comunicado lembrando que tem alertado a sociedade sobre os riscos econômicos e sociais da expansão das plataformas de apostas virtuais no país e seus impactos sobre o orçamento das famílias brasileiras.

A entidade afirma que "a contenção dessa atividade é uma medida necessária para mitigar o agravamento da inadimplência e contribuir para o restabelecimento do equilíbrio financeiro das famílias", mas ressalva que a interrupção das operações das plataformas não é suficiente para recompor a capacidade de consumo da população, ainda pressionada pelos juros altos.

"Ao reduzir a destinação de recursos para o jogo de azar em plataformas digitais, cria-se espaço para que os orçamentos domésticos sejam direcionados à quitação de dívidas, ao atendimento de despesas essenciais e ao consumo de bens e serviços, fortalecendo a sustentabilidade financeira das famílias e impulsionando a atividade econômica", diz a CNC em nota.

A Abrasce (associação de shoppings) diz também que vê com preocupação os efeitos das apostas sobre o orçamento das famílias. "Esse impacto é ainda mais sensível para quem já enfrenta dificuldades financeiras. A entidade considera importante ter no centro da decisão o olhar sobre a proteção dos consumidores e seguirá acompanhando as medidas propostas", afirma.

Também em nota, a Abrainc (associação de incorporadoras imobiliárias) disse que defende medidas efetivas para proteger os consumidores e preservar sua capacidade de construir patrimônio.

"Uma análise da entidade estima que o endividamento entre pessoas que apostam em bets é 8,7 pontos percentuais maior do que entre aquelas que não apostam. Com a renda mais comprometida, fica mais difícil obter financiamento e realizar o projeto da casa própria. O estudo estima que cerca de 3,45 milhões de famílias podem perder acesso potencial à moradia por esse efeito, principalmente as de menor renda", diz o comunicado assinado por Luiz França, presidente da Abrainc.

Sandra Takata, presidente do Instituto Mulheres do Varejo, afirma que os jogos trouxeram um grande custo para as famílias brasileiras, e que a medida corrige um caminho prejudicial, principalmente para o público feminino, que também foi atraído pelas apostas em busca de renda extra.

Ela afirma ter reunido relatos de gestores de recursos humanos contando que muitos trabalhadores chegaram a pedir demissão para conseguir levantar recursos e quitar dívidas com as bets.

"Quando o dinheiro da casa vai para as apostas, quem paga a conta é a família inteira. Faltam comida, roupa e itens básicos, e o varejo sente esse impacto diretamente no consumo e dentro das próprias empresas. Proteger a renda das famílias, e em especial das mulheres que as sustentam, é proteger o consumo e a economia real do país", diz Takata.

A CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil) divulgou um comunicado cujo título afirma que a entidade não discute o mérito da medida e critica o "oportunismo do governo em acabar com as bets".

"Foi neste governo que as bets foram regulamentadas e ganharam licença para funcionar. Agora, às vésperas da eleição, decidem acabar com elas. A vaca foi para o brejo, e o estrago já está feito. O governo quer fechar a porta depois de pegar o dinheiro das empresas", afirma

Alfredo Cotait Neto, líder do Sistema do Associativismo (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e Associação Comercial de São Paulo).

"O Sistema do Associativismo não discute o mérito da decisão. O que questionamos é quem vai pagar por ela", afirma Cotait Neto.

Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel (associação de restaurantes), a medida é tardia e eleitoreira. "Há muito defendemos restrições às propagandas das bets, a exemplo do que temos para os produtos nocivos à saúde como os cigarros. Lamentável que o governo tenha demorado tanto para agir e que só o tenha feito em função das dificuldades eleitorais de momento", diz.

Segundo Solmucci, a restrição abrupta a uma atividade econômica provoca insegurança para quem empreende no país. "São novamente interesses puramente eleitorais açodados que trazem enorme prejuízo e insegurança aos envolvidos", diz ele.

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