Vídeo: Desembargadora investigada ataca OAB durante sessão do TRT do Espírito Santo
Sessão tratava de realocação de magistrados e servidores do tribunal

Foto: Reprodução/YouTube | Agência Brasil
Uma sessão do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT-ES) que serviria para um pedido formal de adiamento acabou tomando outro rumo na última quarta-feira (8).
Durante o encontro, que discutiria um projeto de reestruturação administrativa do TRT-ES, a desembargadora Marise Chamberlain, investigada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), fez ataques à Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Espírito Santo (OAB-ES).
A presença da OAB-ES, na pessoa da presidente Érica Neves, tinha como objetivo pedir o adiamento da sessão, a fim de avaliar o projeto em questão. A proposta, à qual a seccional não havia tido acesso, sugeria a transferência de magistrados e servidores da primeira para a segunda instância do tribunal.
Os presentes na reunião, realizada em forma híbrido, foram surpreendidos pela reação de Marise à presença da OAB-ES. "O primeiro grau não tá produzindo nada, e o segundo grau tá produzindo 'loucamente'", disse a desembargadora. "O que é que a OAB tá fazendo aqui?", disparou.
Com tom de voz alterado e gesticulando a todo momento, a desembargadora seguiu falando ininterruptamente por quase quatro minutos. "A gente só tem uma decisão a cumprir: a decisão do corregedor. Quando ele diz 'vamos reestruturar', vamos reestruturar, porque o primeiro grau não tá fazendo nada e tá cheio de servidor", sustentou.
"Aí vem a OAB e diz coisa absurda. Não sei o que a OAB está fazendo aqui. Vocês, amados desembargadores, tiveram muita cautela, delicadeza, mas eu não tenho, não", acrescentou Marise.
Em seguida, a presidente Érica Neves respondeu à declaração da magistrada. "A gente foi extremamente agredido nessa fala da doutora Marise. A Ordem é uma instituição respeitada e, por isso, a cautela de vossas excelências em falarem dos votos, mesmo entendendo divergência", reagiu Érica. "Divergência a gente respeita, e a gente não vai aceitar uma desembargadora destratar a Ordem, porque destrata, junto, a advocacia", complementou.
No fim, o pedido de adiamento da OAB-ES foi acatado pela maioria dos desembargadores. Agora, a entidade irá analisar e emitir um posicionamento a respeito da proposta de reestruturação do TRT-ES.
Investigação do CNJ
A desembargadora Marise Chamberlain é investigada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão apura se ela infringiu regras da magistratura ao fazer comentários ofensivos, em um grupo de WhatsApp, contra colegas, a esquerda e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Por isso, o CNJ proibiu, de forma cautelar, que a desembargadora exerça cargos de direção no TRT-ES, exceto a vice-presidência, e se candidate à presidência do tribunal.
Confira abaixo o vídeo da sessão:


