Vídeo: Nutricionista aponta riscos de alimentação "pobre em nutrientes" em escolas municipais de Salvador
Camila Rheinschmitt destaca impactos de merenda inadequada e sugere melhorias

A nutricionista Camila Rheinschmitt, em entrevista ao Farol da Bahia, apontou os riscos de uma alimentação nutricionalmente "pobre" para crianças no ambiente escolar. A discussão ocorreu após denúncias enviadas à reportagem acerca do déficit nutricional em merendas escolares de escolas municipais de Salvador.
De acordo com a análise da profissional de saúde, a ausência de frutas, proteínas, zinco, ferro e outros nutrientes pode influenciar diretamente na concentração da criança em seu processo de aprendizagem.
"Se, no dia a dia, de fato, é uma alimentação pobre em nutrientes para crianças na fase escolar, sem adicionar frutas, proteínas, ferro, zinco, que são nutrientes que vão influenciar na concentração dessa criança, vão dar energia, de fato, para o cérebro prestar atenção na sala de aula", apontou.
Os esclarecimentos a respeito da nutrição de crianças em ambiente escolar surgiram após denúncias de uma professora da rede municipal, localizada no bairro do Lobato, no subúrbio de Salvador. Em um dos vídeos divulgados, a docente mostra o lanche das crianças sendo composto apenas por torradas e um suco com pouca consistência.
A professora, identificada somente como Priscila, classificou a alimentação da escola como "nutricionalmente pobre" e que "se resume a açúcar, sem nenhum tipo de vitamina, proteína ou fibra".
Para Camila Rheinschmitt, o ideal de uma alimentação adequada seria mais do que carboidratos, mas proteínas, frutas e vegetais. Ela também pondera a limitação existente nas redes públicas de ensino e que uma das dificuldades enfrentadas pela educação pública infantil é o baixo orçamento.
"O ideal seria que a gente pudesse combinar não só fonte de carboidrato, que já é o que está sendo oferecido na torrada e no suco, mas também que tivesse o carboidrato, uma proteína e frutas ou vegetais como parte desse lanche. Só que uma grande limitação, quando a gente fala de rede pública, geralmente também é o orçamento que essa escola tem disponível para as lancheiras."
Conforme o Guia Alimentar do Ministério da Saúde, crianças de 2 a 10 anos de idade devem consumir prioritariamente alimentos in natura e evitar processados ou ultraprocessados.
Problemas nutricionais a longo prazo
A base de uma alimentação composta por processados e alimentos pouco nutritivos pode desencadear vários impactos negativos a curto e longo prazo. Segundo Rheinschmitt, é possível já identificar alteração de colesterol e açúcar em exames já na infância, no caso do consumo diário e sem controle. Além disso, a profissional pondera sobre os riscos de desnutrição e baixo peso que o consumo exagerado de processados pode gerar.
"Crianças que consomem na rotina esses ultraprocessados com exames alterados, como colesterol, como açúcar, crianças até mesmo com gordura no fígado já na infância. Se a base da alimentação dessa criança a longo prazo é uma base pobre em nutrientes e rica em açúcares, rica em gorduras, o risco para isso ao longo prazo é justamente de crianças desnutridas", afirma
O resultado de uma má alimentação na infância acarreta vários prejuízos na vida adulta, do ponto de vista individual e também coletivo. Sobre isso, Camila aponta que o resultado em cadeia é a demanda do sistema público de saúde. "Economicamente não faz sentido a longo prazo, porque é um adulto lá na frente que vai demandar mais do sistema público e, com certeza, isso vai impactar no final das contas para a vida", aponta.
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Confira o vídeo abaixo:


