Vídeo: "Projeto familiar": ex-ministro de Bolsonaro critica candidatura de Flávio e chama Jair de "despreparado"
Carlos Alberto dos Santos Cruz foi ministro do ex-presidente Jair em 2019 e foi demitido do cargo por brigas com a família Bolsonaro

Foto: Reprodução: Youtube/ Andressa Anholete/Agência Senado
O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro (PL), disse, durante entrevista ao Revelando, que a candidatura de Flávio é um "projeto familiar" e que Jair é "despreparado".
"Flávio Bolsonaro faz parte de um projeto familiar, o Brasil, e eu acho que é muita redução de significância um projeto familiar [...] Conheço o pai, trabalhei com ele, totalmente despreparado, totalmente despreparado para a função, por isso que não deu certo", diz.
Santos Cruz tomou posse no dia 1.º de janeiro de 2019 e foi demitido por Jair pouco mais de 5 meses depois, por conta de atritos com a família do ex-presidente.
Além disso, o general também disse que Bolsonaro pai fazia "exploração religiosa" e "picaretagens" com eleitores e que o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), segue os mesmos caminhos de Jair.
"O pai não tinha preparo suficiente. Agora, o filho mais velho (Flávio) não tem identidade, ele representa o interesse familiar", disse.
Interferência dos EUA nas eleições
Durante os quase 40 minutos de entrevista ao jornalista Bruno Torturra, o general também dispara críticas sobre interferências do governo americano nas eleições brasileiras.
Sem citar o nome de Eduardo Bolsonaro, o filho "02" de Jair, Santos Filho classifica como "absurdo" quem recorre aos Estados Unidos para interferir nas disputas eleitorais. "Um ataque à soberania do Brasil, não tenho dúvida nenhuma, mas para entender isso daí", disse.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho "02" de Jair, mudou-se para os Estados Unidos, onde atuou e apoiou sanções comerciais impostas por Donald Trump ao Brasil. No mês de agosto deste ano, Eduardo gravou vídeos em inglês incitando ataques dos EUA ao Brasil e ao processo eleitoral.
Na publicação no X, Eduardo disse que o processo eleitoral do Brasil "é um problema" para os Estados Unidos.
"O Brasil está realmente alinhado com o Irã, com a antiga Venezuela, a Venezuela de Maduro, com a Nicarágua de Daniel Ortega. Esse é o tipo de aliados que o Brasil tem. "O Brasil é um problema não apenas para os Estados Unidos, mas também para a Argentina", disse.
Sem citar o nome de Eduardo, o general, ex-integrante do governo Bolsonaro, diz que isso se caracteriza como "traição à pátria.
Extremismo e fake news
"Eu me considero de direita", afirmou o general ao ser questionado pelo jornalista. Segundo ele, os acontecimentos não mudaram seu posicionamento ideológico, mas define como "extremismo" e "vigarice" os novos rumos da direita brasileira. "Isso não é direita, isso é extremismo."
Para o general, a esquerda se "atrasou" frente à "febre" da extrema-direita nas redes sociais. Nesse contexto, ele avalia que o uso de fake news foi preponderante para o avanço da direita no meio digital e, por consequência, para ganhar muitos votos.
"A esquerda se atrasou nesse domínio das redes sociais; a extrema-direita avançou bastante nisso." "Uma febre", disse.
Nas eleições deste ano, a bancada da extrema-direita ampliou o número de cadeiras no Congresso Nacional e no Senado. O Partido Liberal conquistou 121 cadeiras na Câmara, equivalente a 23% da Casa. Já no Senado, o PL quase dobrou o número de parlamentares, passou de 15 para 28 senadores.
Ao todo, das 81 cadeiras do Senado, 45 possuem algum tipo de alinhamento com o bolsonarismo.
Apesar das críticas ao bolsonarismo, Santos Cruz também aponta para uma polarização e um "radicalismo" político, em que ambos os lados estão em "guerra".
"O que nós estamos assistindo não é direita nem esquerda, estamos assistindo a uma guerra de extremistas."
Ao ser questionado se considera o presidente Lula extremista, o general responde negativamente. "Não vi extremismo", disse.
Confira o vídeo abaixo


