Procurei a morrer, mas não achei paralelo com o que acontece com o Brasil. Vasculhei dezenas de países, os mais conhecidos nas Américas, na Europa e em outros continentes. Evidente que encontrei exemplos de desmandos e corrupção em muitos deles, mas nenhum comparável com a triste realidade brasileira.
Aqui a corrupção está entranhada nos poderes públicos, preenche a monotonia das massas e passam como virtudes, refletindo no dia a dia, o que nos ensinou Sigmund Freud quando diz que “as massas nunca tiverem sede de verdade. Elas querem ilusões e não vivem sem elas”, ao menos enquanto forem simples massas.
As massas ignoram a advertência de Antônio Gramsci, o filósofo comunista italiano, segundo a qual “tudo é político, inclusive seu silêncio conivente e fantasiado de neutralidade”. Perante os olhos dos brasileiros passa um filme de horror, que faria corar o mestre do suspense, Alfred Hitchcock. Tem corrupção para todos os gostos.
O ex-banqueiro operou a maior fraude financeira da história e está em vias de delatar políticos e funcionários públicos, inclusive da mais alta corte judicial do país; surrupiaram bilhões de reais dos aposentados e pensionistas da previdência social, entre eles quase duzentas autoridades, incluindo o filho do Presidente da República; juízes da mais alta corte de justiça do país envolveram-se nos crimes mais escandalosos de advocacia administrativa e lavagem de dinheiro; muitos órgãos da administração pública -estaduais e federais- tiveram funcionários envolvidos até o pescoço em desvios de recursos públicos. A roubalheira, este cupim da República, alastrou-se pelo aparelho do Estado e, não menos danoso que a clássica infestação de cupins, a cobertura política do Senado Federal e do STF usam os instrumentos disponíveis para proteger os corruptos e impedir que recebam as punições a que merecem.
Existe, todavia, algo pior que um político corrupto. É o cidadão que o defenda. É preciso ter bem claro que a corrupção se alimenta do fanatismo das massas. É o que diz a sabedoria popular.
Recai sobre os brasileiros dispostos a romper com a passividade das massas e insurgirem-se contra estas calamidades assustadoras, a lição de George Orwell, segundo a qual “a liberdade é o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir” e despertar-lhe do sono letárgico.
O que está em jogo não é apenas o destino da sociedade brasileira, porém, sobretudo, os valores morais de uma civilização ameaçada “por homens perversos que agem para destruí-la. Contudo, ela é destruída, na verdade, pelos homens fracos que não conseguem defender o que é justo”.
Desgraçadamente, Ernest Holmes, cientista norte-americano e autor do aclamado livro A Ciência da Mente, nos informa, com absoluta clarividência, que “praticamente toda raça humana está hipnotizada pelo senso comum, pois a maioria pensa o que lhe disseram para pensar”. O povo brasileiro não escapou desse vaticínio. Um dos instrumentos mais poderosos para implantar nas mentes populares a falsidade e a desinformação a serviço do escamoteamento político é a imprensa, aparelho ideológico da mentira.
A imprensa estatizada e alugada pelo Estado repressor e a Justiça supremocrática induziram as massas populares, por muitos anos a fio, a eudeusar juízes pernósticos e corrompidos em sua grande maioria.
O resultado não poderia ser outro: a casa de Noca!



