Se propagam em meio à ventania econômica as labaredas de um incêndio que tende a ganhar proporções gigantescas. Já são mais de 240 empresas de grande porte que transferem a produção de suas fábricas para o Paraguai. Dass é uma delas, responsável pelas marcas Adidas, Nike e Fila. Outras empresas deixaram o país como Lupo, Karsten, Riachuelo, Buddemeyer e Tramontina desiludidas com as políticas indústrias praticadas pelo governo brasileiro.
Todas elas na contramão do mundo moderno e desenvolvido. Os países que participam deste mundo cotejam pela inteligência artificial, produtividade e inovação, diferente de nossa pátria amada envolta na missão de trabalhar menos e ganhar mais. Somos alheios à providencial advertência de Thomas Sowell, segundo a qual “quando as pessoas desejam o impossível, somente os mentirosos podem satisfazê-las”.
É justo e desejável propiciar dois dias de folga ao trabalhador brasileiro, porém não chegou a hora dessa magna conquista, que visa nos ombrear com as nações ricas. É preciso lembrar que a produtividade da mão de obra brasileira está na 94ª posição entre 184 países. No governo Lula da Silva, além da crise fiscal e inflacionária crescente, assistimos a cada ano que passa o aumento vertiginoso da recuperação judicial das empresas brasileiras. Em 2021 era de 911, em 2025 chegamos a 2466.
A atual migração das empresas brasileiras rumo ao Paraguai é atraída pela redução de custos operacionais de até 40%. A previsão é que mais empresas passem a desfrutar desse ambiente de negócios mais competitivo e atenuada burocracia, sustentado pelas seguintes política governamentais destinadas a favorecer, principalmente, empesas exportadoras.
A lei de Maquila assegura a importação de matéria prima e de equipamentos mecânicos com a suspensão de impostos, aplicando apenas uma tributação de 1% sobre o valor agregado. Igualmente, sua carga tributária é ancorada num sistema que atribui 10% para o Imposto de Renda e 10% para o IVA, estabelecendo um diferencial altamente favorável à economia do Paraguai.
Os custos operacionais paraguaios não se comparam àqueles praticados no Brasil. A energia elétrica é abundante e bem mais barata e os encargos trabalhistas botam no chinelo o amontoado de obrigações a que os empresas brasileiros estão obrigadas.
O verdadeiro país do futuro, referido por Stefan Zweig, é logo ali, um vizinho que no passado era conhecido como o país do whisky falsificado. Esse movimento que se desenrola no Brasil mal está começando, não obstante não parece passageiro, pois os ventos econômicos do Brasil sopram antevendo um desastre futuro, principalmente se levarmos em conta as artimanhas de uma crise fiscal de profundidade e uma inflação reconhecida pela mundo.
Com 84% dos brasileiros endividados, um quarto da sociedade em mãos das falanges terroristas, o cidadão privado dos seus direitos constitucionais, a censura alcançando níveis alarmantes, as prisões abarrotadas de presos políticos inocentes, as cortes superiores desmoralizadas e sem o respeito dos cidadãos, as tensões internacionais em níveis ameaçadores, o presidente da república senil e desqualificado a condução governamental do Brasil assemelha-se ao desvario de Nero, o Imperador romano, que ateou fogo na cidade das Sete Colinas.
As labaredas que se alastram na vida brasileira exprimem o sofrimento de uma geração inteira, que certamente reflete sobre o grande enigma que atravessa, tão bem definido por Bertrand Russell, o pensador britânico de tantos títulos: “O mais difícil de aprender na vida é qual ponte cruzar e qual tem que queimar”.



