Diversos fatores levaram à derrocada do Império Romano do Ocidente, em 476 d.c. A invasão dos povos bárbaros, a crise do escravismo, desordem econômica, a corrupção e as lutas internas do regime estiveram entre eles, todavia é impossível deixar de mencionar a profundidade moral da sociedade e o esfacelamento de sua tradição cultural.
Esta última foi vital no desmoronamento do Império, mergulhado em dissídios religiosos, rompendo seus laços com o politeísmo tradicional, suas tradições familiares e o próprio Direito que serviu de base à construção de uma sociedade sólida.
O Brasil, neste instante de sua quadra política, foi invadido e dominado pelos bárbaros, palavra latina que significa “balbuciar”, isto é, não falar a língua civilizada e não respeitar as instituições que sustentam a vida social e política. A anarquia substituiu entre nós valores, linguagens, regras e leis.
O sistema dominante, chefiado por um apedeuta encurralado – histérico e boçal -é simplesmente irrespirável. A presidência da república desfigurou-se por completo. Em vez de discurso sobre os problemas da Nação, vê-se um celerado sem moderação, ao invés de alinhar e desenvolver ideias, temos a cena de um paspalho vingativo, odioso e mentiroso. Suas palavras são sempre para dividir, onde podia imperar o consenso; a liturgia a que está submetido quem exerce esta magna função, dissolve-se em xingamentos, desafios e impropérios a mandatários de outras nações!
Não há limites a suas idiossincrasias exasperadas. Uma baba branca e espumante escorre em direção às plateias domesticadas e embebecidas com sujas bobagens. Os risos denotam o deboche com que se deliciam os súditos.
Como chegamos a este clima de absoluta decadência? É possível que parte do nosso povo insista em elevar a esta altura, quem merecia chafurdar na lama em que se encontra o Governo visivelmente atolado?
Há poucos dias, cito um fato que nos remete para abaixo dos mínimos deveres de uma república civilizada. O presidente que governa o nosso país tomou do telefone celular, em pleno comício eleitoral, e ligou para o Ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal-STF, informou-lhe que naquele instante sancionava um projeto de lei de autoria do então Senador, hoje ministro da corte superior de justiça e sugeriu ao mesmo que dirigisse algumas palavras ao povo paraense nos microfone daquele ato de apoio à sua candidatura presidencial.
Descaradamente, todos os limites foram mais uma vez ultrapassados. Às favas as leis eleitorais, a dignidade de seu cargo presidencial, a igualdade de armas da campanha político partidária. O que contava era sua vontade plenipotenciária! Normalizar tal procedimento, calar-se diante da violação dos princípios republicanos significa compactuar com o cinismo e desafiar a todos nós.
O fato acima descrito revela o alinhamento político do Ministro Flávio Dino com a candidatura petista, a confiança do candidato na impunidade perante as leis eleitorais e, o que é mais grave e definitivo, a invasão dos bárbaros. É preciso, a qualquer custo, expulsá-los para que o novo Brasil possa nascer.
Observem o panorama. Não há pedra sobre pedra. Tudo está morto: instituições, poder político, o país. Ressurtimos-lhe. Faça como Guimarães Rosa nos recomendou: “o que a vida quer da gente é coragem.”
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