A morte da ditadura

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A morte da ditadura

Há quem diga que as ditaduras não morrem nunca. Deixam vestígios impagáveis e costumam renascer inesperadamente de muitas formas, como uma alma penada. Parece morta, muito mais morta do que se imagina. Mas, revive. Ora para denunciar o fruto amargo. Ora, para restabelecer, através dos sofrimentos vividos, os horrores do passado.

As ditaduras costumam ser longevas. Subjugam povos e nações por anos a fio. Duram 20, 30, 40 anos. Com o passar dos anos, vem mudando suas características formais. Às vezes, são puramente militares, outras são civís com forte apoio das classes armadas, muitas são obra meticulosa do aparato judicial, da mídia estatizada e de militares coniventes.

Todas elas, além da repressão, da tortura aos presos políticos, dos julgamentos do tipo “soviéticos”, do controle e uso invasivo dos poderes republicanos, da afronta às leis e a Constituição, praticam as ofensas mais odiosas aos direitos humanos.

Os aulicos, muitos deles beneficiados pela Lei Rouanet –compositores, cineastas, escritores – relembram deploráveis episódios passados para dar aos sofrimentos infligidos a aura do heroísmo, sem considerar, em benefício da História e do futuro, que a Ditadura ruiu pela ação política das forças democráticas, unidas, poderosas e vigilantes. 

Em nosso país, a Ditadura militar persistiu por 21 anos, na Venezuela por 26, na Teocracia ditatorial do Irã por mais de três décadas, Cuba da mesma forma e tantas outras desafiam o tempo e a própria luta do seu povo em busca do continente democrático. A conclusão inescapável é que todos os povos submetidos aos regimes totalitários dependem dos movimentos geopolíticos que se processam no mundo e que a força repressiva e a propaganda massiva são obstáculos cada vez mais sofisticados da escravidão política vigente nestes países.  

É inegável o papel político desempenhado pelos Estados Unidos da América, durante a administração republicana, para colaborar no processo de expansão do Estado Democrático, sobretudo no nosso hemisfério ocidental. O Secretário de Estado, Marco Rúbio, foi claro ao analisar aspectos importantes da política norte-americana na Venezuela, ao afirmar: “sob a administração Trump, não vamos ter um país como a Venezuela em nosso próprio hemisfério, dentro de uma esfera de controle e como ponto estratégico para o Hezbollah, para o Irã ou qualquer outra influência no país e no mundo. Isso simplesmente não vai existir”. 

Os republicanos abandonaram a política de isolamento do passado e, de um modo geral, também deram as costas a ações militares de longo prazo, com ocupações desastrosas, semelhantes a do Afeganistão e Iraque. Os norte-americanos adotaram um modelo eficaz de pressão e de ataque cirúrgico, que, como é notório e conhecido, resultou na prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Não participo da ideia que levou os Estados Unidos à intervenção na Venezuela, simplesmente pelo interesse no petróleo, recuperado na maior reserva do mundo deste hidrocarboneto. Volto a trazer à tona as palavras de Marco Rúbio: “não precisamos do petróleo da Venezuela. Temos petróleo de sobra nos Estados Unidos. O que não vamos permitir é que o petróleo da Venezuela seja controlado por adversários dos Estados Unidos...Por que a China, Rússia e Irã precisam do petróleo venezuelano? Ele sequer estão no nosso Continente. Este é o nosso hemisfério ocidental, é onde vivemos e não vamos permitir que se torne uma base de operações de adversários, competidores e rivais”.  

Nascido em Havana, por volta metade do século XIX, José Martí, foi o líder da independência de Cuba e suas palavras –se vivesse nos dias de hoje- poderiam representar bem o reconhecimento dos esforços políticos e militares dos Estados Unidos em defesa da Democracia e seus valores nos países que integram o nosso hemisfério e, apesar das  contradições inevitáveis nos  conflitos geopolíticos, esse crédito não pode ser negado aos norte-americanos. São palavras atualíssimas de José Martí: “se não lutas, pelo menos tenha a decência de respeitar os que a fazem”.

Comentários

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LUZIA PRAIA GUERRIERI
Só tem uma palavra...EXCELENTE! Quem não luta,não atrapalhe. Boa tarde!

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