Na última quinta-feira, assistimos um golpe contra as instituições republicanas. Se desenrolou a conspiração na Praça dos Três Poderes. Na tarde daquele dia, o Supremo Tribunal Federal desferiu um golpe mortal na República, em favor de si mesmo, consumando o segundo golpe supremocrático, em continuidade ao que elevou ao poder o atual Presidente da República.
Desta vez foi o Congresso Nacional que teve suas prerrogativas e sua autonomia conspurcadas e a Constituição de 88, mais uma vez, miseravelmente afrontada.
Não sei se alguma rebelião será deflagrada, como aconteceu nove dias após o baile da Ilha Fiscal, com a insurgência militar que destronou o Imperador D. Pedro II e inventou a Primeira República. Mas, sei que um novo golpe foi dado, dando ao Presidente do Senado, David Alcolumbre as baionetas de que necessitava para sufocar a CPMI, instaurada para desvendar o assalto à previdência social.
O diapasão dos Ministros, dez deles (à honrosa exceção dos Ministros Mendonça e Fux) foi carregado de más intenções, segundo as quais ordena o encerramento da CPMI e atribui ao Presidente do Senado, David Alcolumbre, a tarefa de fazê-lo. É a sopa no mel! “O cara de pau”, Alexandre de Moraes, o mesmo que prorroga até às calendas gregas o Inquérito do Fim do Mundo, considerou um absurdo inqualificável a prorrogação de uma CPMI, em aras à sua hipocrisia!
A jornalista Malu Gaspar matou a cobra e mostrou o pau: “está claro pela fala dos Ministros que a preocupação não era o roubo do INSS. A questão é que a CPMI do INSS avançou sobre o caso MASTER e expôs situações que eles não querem ver expostas”.
O Ministro Gilmar Mendes não se conteve e deixou transparecer sua indignação garantista contra os vazamentos e a quebra de sigilo de Vorcaro e não teve dúvidas em acusar os membros da CPMI desses vazamentos, numa demonstração de que não teme processos contra aqueles que acusam sem provas.
A CPMI foi encerrada. Porém, sobre seu corpo não foi costurada a mortalha do esquecimento. Ela está mais viva do que imaginam aqueles que não suportam os horrores que ela revelou nas suas oito mil páginas do Relatório Final e seus duzentos e dezoito indiciados.
Se o objetivo do golpe contra a prorrogação era o de proteger os criminosos da excelsa corte e livrar das sentenças da justiça os criminosos denunciados, foram em vão os esforços despendidos. Fabio Luís Lula da Silva, conhecido pela alcunha de Lulinha, tem prisão preventiva requerida pela CPMI e cada vez mais o cerco se fecha, apesar das inventivas armas do papai!
Esse petardo moral expresso nas oito mil páginas, fruto de um trabalho árduo e competente, provocou o desvario da petizada, principalmente do seu líder, o Deputado Lindbergh Cardoso, que desfiou impropérios e xingamentos em direção ao Relator, Deputado Alfredo Gaspar. A resposta veio como raio em céu azul. Num gesto de coragem e sobranceria o Deputado alagoano levará o líder petista ao Conselho de Ética e às barras dos tribunais competentes.
A CPMI, considerando-se todas as virtudes de que é detentora, deixa um legado superior, o de reconduzir o Congresso Nacional a uma das suas funções essenciais, a de assumir com letras garrafais a representação popular de que é investido, sua autonomia e travar, em nome dos mais desvalidos, lutas que exigem coragem, discernimento e profundo senso de responsabilidade.



