CARA, DEUS É BOM

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CARA, DEUS É BOM

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Com estas palavras, singelas e eternas, Michael B. Jordan, pronunciou as suas primeiras palavras ao ganhar o Oscar do cinema, sem dúvida, o maior galardão internacional da sétima arte. Os jornalistas presentes não pensaram duas vezes para completar com a seguinte frase: “o tempo todo!”.

As palavras de Michael Jordan podem ter sido pronunciadas para expressar sua fé cristã e agradecer a Deus pela grande conquista alcançada, que repercutirá intensamente em sua vida artística, tanto quanto provocou uma explosão de contentamento por quantos assistiram a cerimônia de premiação do maior e mais consagrado prêmio do cinema internacional, destinado a reconhecer o talento dos artistas premiados.

Creio que suas palavras ecoaram como grito em favor da  fé cristã, tão enxovalhada e denegrida nos dias  de hoje, por toda sorte de ideologias e regimes totalitários, ainda espalhados pelo mundo.

Não foi diferente, sob um outro ângulo, as palavras de Paul Thomas Anderson, que ganhou o Oscar de melhor diretor, com o seguinte desabafo, ainda que em tom de brincadeira: “você faz um cara trabalhar duro para conseguir um desses”, de fato, a Academia fez ele esperar pela cobiçada premiação longos vinte e oito anos, embora tenha concorrido cerca de quatorze vezes, sem sucesso.

Acredito que neste caso teve a interferência da esperança, uma das virtudes cristãs, até que ele alcançasse seu difícil objetivo, o que não deixou dúvidas que o Oscar não se ganha através da propaganda e do dinheiro farto de falsos patrocínios estatais. 

Para o jornal The New York Times foi “bom ver os Oscar mais uma vez dando espaço para trechos dos indicados a Melhor Ator-Atriz, uma homenagem maravilhosa... Mas, se eles estão anotando, por favor, voltem a exibir as reações dos indicados enquanto os trechos são exibidos: quero ver quem está orgulhoso ou constrangido com a escolha”. Lançado este desafio, o que se viu foi uma aprovação insofismável, com o público oferecendo absoluta concordância com as escolhas feitas.

Isto quer dizer que a Academia rejeita os panfletos  políticos, os arranjos ideológicos ultrapassados e preferiu os debates dos grandes problemas humanos. Michael Jordan arrebatou o Oscar de melhor ator por sua atuação em Os Pecadores. Um filme profundo. Mais que o relato de uma  história expõe a luta do homem moderno diante dos preconceitos. Os irmãos gêmeos, por ele estrelados, enfrentam forças naturais, vampiros e demônios, num amalgama psicológico com as realidades do racismo e da segregação. É um filme que fala com as angústias humanas e revelam os horrores a que estamos submetidos. 

Longe de parecer uma revelação do racismo estrutural, parece-me que o apelo ao sobrenatural pretende evidenciar que os vampiros sugam o sangue do negro para deformar ou anular a identidade racial e a cultura negra. O vampirismo contido em Os Pecadores retrata uma metáfora explicativa da história racial dos Estados Unidos, uma alegoria crítica sobre a formação da sociedade norte-americana, na qual a exclusão do negro e a inoculação da cultura protestante na alma negra converteram os Estados Unidos detentor de uma sociedade fundamentalmente racista.

É um filme norte-americano, concebido para o povo norte-americano, sem obscurecer sua universalidade e assim deve ser visto, como a crítica ao desenvolvimento de uma cultura nacional, que muito se distinguiu de outras onde vigoraram estatutos escravocratas, porém distintos como no Brasil.

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