Há controvérsia, porém o mais provável é que esse coquetel alcoólico teria surgido por volta do ano de 1900, logo após o fim da guerra travada pelos cubanos contra o domínio espanhol, com a ajuda dos norte-americanos. Para festejar a conquista de sua independência cubanos e seus aliados do norte inventaram a bebida, ainda muito apreciada na atualidade.
O nome popular do coquetel presta-se a uma nova celebração, desde que se instalou na decantada ilha caribenha, a possibilidade real de uma rebatizada intervenção norte-americana, desta vez para superar setenta e sete anos de uma ditadura, que arrastou o país aos níveis mais deploráveis de miséria econômica e social, decorrente do fracasso do experimento socialista implantado pela revolução liderada pelos irmãos Castros.
Cuba viveu em todos esses anos, com altos e baixos, períodos distintos de sua história recente. Primeiramente, a época da cooperação soviética. A ilha sobreviveu graças ao interesse estratégico constante na guerra fria entre a potência capitalista representada pelos EUA e a União Soviética. Esta última introduziu benefícios tecnológicos, energéticos, financeiros e militares a um custo político que por um fio não levava o mundo à hecatombe nuclear.
O desmoronamento do bloco socialista no continente europeu teve o consectário inelutável de suprimir os pesados custos envolvidos nesta aliança transatlântica. Cuba conheceu nestas circunstâncias históricas a primeira grande crise social de sua instável experiência socialista.
Socorrida pelo petróleo venezuelano e a aliança ideológica decorrente da chegada ao poder de Hugo Chaves e sua revolução bolivariana, Cuba valeu-se de um compromisso, esse sim, histórico e americano, expresso no Foro de São Paulo, criado por Fidel Castro e Lula da Silva, com a finalidade, através dos métodos condenáveis de que se valeram, de fazer sobreviver a ideologia pela qual se batiam.
Não contavam, todavia, com a nova política externa dos EUA, urdida pela administração Donald Trump, disposta a defender os valores políticos e morais da cultura ocidental, envolvendo a reconfiguração geopolítica do mundo, sobretudo as diretrizes enunciadas e em andamento no hemisfério americano.
Cuba, assim, se viu a braços com uma solidão insuportável. Ela própria, desenha o fim de seu experimento falido. O regime cubano não dispõe mais dos instrumentos de repressão, prisões e fuzilamentos da época de Che Guevara, cuja opinião pública democrática das nações civilizadas não hesitam em condenar e exigir a restauração das liberdades e dos direitos humanos.
O desfecho da atual crise porque passa o regime cubano e o sofrimento do seu povo, ainda é desconhecido, mas é possível, em face da dramaticidade com que o regime vive seus dias finais, lobrigar, com clareza meridiana, que os dez pontos necessários à uma sociedade livre e reconciliada com a Democracia estão batendo na porta do futuro.
Se, como é o desejável, Cuba viverá os novos tempos por obra da negociação política, logo veremos a realização de eleições livres, da pluralidade partidária e de reformas constitucionais capazes de assegurar as regras formais e fundamentais de um regime democrático. O atual quadro de escassez e necessidades alimentares será substituído por uma economia de mercado, ancorada na propriedade privada dos meios de produção e o fim do controle do Estado e do monopólio representado pelo conglomerado da GAESA, a organização composta pelos generais cubanos controladores da economia do país.
A enigmática frase de Guevara, segundo a qual “hay que endurecerse sin perder la ternura jamais”, que instalou o sonho revolucionário em muitas gerações no mundo inteiro, revela finalmente seu conteúdo verdadeiro na sentença proferida por um dos romancistas dos mais inspirados da literatura latino-americana, Mario Vargas Llosa, quando desvendou: “a esquerda latino-americana romantiza ditaduras amigas”.



