É uma rotina chocante ver alguém faminto, removendo o lixo, em busca de alimentos na Venezuela, em Cuba e no Brasil. Nada expressa melhor essa cena contemporânea que o poema de Manuel Bandeira, intitulado O Bicho, no qual o nosso poeta modernista, entre compungido e revoltado diz:
“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.
Recorri, com o auxílio de um amigo querido, Pedro Maranhão, a um dos índices reconhecidos mundialmente, o coeficiente GENI, que mede o grau de desigualdade dos países, variando de 0 a 100, onde os menores coeficientes expõem os países com menor desigualdade e os mais altos designam aqueles que desfrutam de maiores níveis de desigualdade.
Isso vem a calhar quando em nosso país, mercê das constantes declarações do seu presidente, Lula da Silva, dão conta que ultrapassamos a fome e as necessidades e que as desigualdades diminuíram substancialmente para nunca mais voltarem.
Voltemos ao coeficiente GENI. Por ele, os países mais igualitários do mundo, entre os quais os europeus, nórdicos e outros ostentariam índices entre 25,30 até 40 e os mais desiguais estariam entre 50 e 55. Tais medições, entre os economistas, apresentam duas modalidades. Uma anterior à intervenção estatal e outra depois que o Estado enfrenta o problema da desigualdade. Alguns exemplos: na Alemanha, antes do Estado atuar, o coeficiente GENI de desigualdades era de 40, todavia o Governo taxa mais os ricos que os pobres, oferece serviços púbicos gratuitos e de boa qualidade, como escolas, hospitais, entre outros e a desigualdade cai para 25 aproximadamente, reduzindo índices neste campo tal vital para o bem estar social da população. O mesmo acontece com a Bélgica, a Noruega e outros que se encontram em índices semelhantes, todos depois da intervenção do Estado. Nos Estados Unidos da América, o país mais rico do mundo, há uma diminuição da desigualdade decorrente da intervenção estatal, porém um pouco menor daquela existente dos estados europeus de bem estar social.
Convém salientar que a riqueza acumulada em um determinado país não significa necessariamente a existência de um índice razoável de desigualdade. A Índia exemplifica com sobras essa realidade. As disparidades sociais fazem desse país um dos mais altos em índices de desigualdades e até de miséria, onde impera uma grande massa majoritária de pobres!
O México a desigualdade é permanente. Vai de 45 sem o Estado e apenas chega a 42 com a intervenção estatal, o que quer dizer que não há um esforço verdadeiro para amenizar o problema.
Ao nosso país, o Brasil, está reservada a taça de campeão mundial. Nada se compara a esta terra descoberta por Cabral. Aqui ocorre um fenômeno inédito, inaudito e estranho. A desigualdade aqui é muito alta, chega a 53 pontos, comparando-se à África do Sul, a pior do mundo!
Contudo, o Governo petista considerou que mantendo a população na pobreza estrutural e dependente do Estado benigno, o problema não seria, como foi, muitas vezes multiplicado. Não faltou ao Estado petista oferecer ao povo pobre um ensino sem qualidade, ainda que profuso, os impostos mais altos de toda a história brasileira, o endividamento da população em mais de 84%, o bolsa família distribuído na maioria da população e a manutenção dos privilégios e do patrimonialismo, os escândalos e a corrupção generalizada, o deficts fiscal astronômico, entre outras mazelas equiparáveis.
A genialidade dos apedeutas alcançou o ápice da gloria. Num passe de mágica demagógico e mentiroso a desigualdade brasileira aumentou, ao invés de diminuir. A desigualdade brasileira foi de 53 elevada aos incomparáveis 65 pontos.
Salve-se quem puder!



