DIA XIS, HORA HAGA

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DIA XIS, HORA HAGA

Não há tempo a perder. Não se sabe se o golpe contra a democracia será deflagrado com o êxito da candidatura de Flávio Bolsonaro, mas uma coisa é certa: ainda não é possível prever se a ação dos golpista será inevitável, mas se nada for feito os preparativos já estão em curso, a ver os acontecimentos mais recentes.

Já afirmei que as condições objetivas para a realização desta catástrofe não são as mesmas de meses atrás, mas esta compreensão não impede que o regime autocrático vigente reúna suas forças, hoje fragmentadas, e dê seguimento à aventura golpista. 

A narrativa para alimentar a sandice golpista já está construída. O discurso soberanista do presidente da república, desdobrou-se na suposta interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro, não só recorrendo aos conflitos passados entre o Brasil e os EUA, mas dando protagonismo aos fatos verificados nas eleições romenas e as imprecações do Partido Democrata com as quais iludiu eleitores norte-americanos com a falsa intervenção russa em favor da candidatura de Donald Trump.  

Urge converter esta convergência de forças nacionais em favor das eleições limpas e democráticas, em uma frente que releve os equívocos do passado recente, e erga uma barreira poderosa, a fim de frear e impedir o desenvolvimento do golpismo.

Um fator importante e decisivo para a continuidade dos desmandos legais perpetrados pela ala golpista do STF e o Governo petista, é o papel desempenhado pelas Forças Armadas, cujo silêncio atordoa os espíritos mais desprevenidos de nossa conjuntura política.  Para um observador atento ao que se passa no interior dos quartéis, é possível depreender que, em face do despautério de um mundo civil dividido entre os partidários do caos e do autoritarismo e os que se colocam em favor dos que pretendem o mundo militar distante dos partidarismo e comprometido com a legalidade democrática, há uma divisória em desfavor do alinhamento com as ditaduras existentes no mundo. 

Numa Democracia, o desejável é que as Forças Armadas se mantenham em suas obrigações profissionais, cuidando da integridade territorial do país, da soberania nacional nos termos da Constituição e na defesa das instituições nacionais, a fim de que zelem por suas funções constitucionais.

Temos tradições e temos história. A lição da história nos foi dada principalmente por José de Bonifácio, o patriarca da independência. Esta é uma hora em que suas palavras soam com inigualável vibração no coração dos brasileiros. A luta de todos contra o golpe é uma luta pela liberdade e pela mudança do nosso país. O patriarca nos disse que que “a liberdade é um bem, que não se deve perder senão com o sangue. Não é senhor de si quem a outrem sujeitou a língua. Um só homem que queira e possa falar a tempo faz calar e tremer a muitos, pode ser a conservação de um povo inteiro, que o silêncio perderia. A verdade muda introduzi a tirania”. 

Trabalhadores, estudantes, empresários, intelectuais, funcionários, homens e mulheres, não se deixem arrastar para o caos com Gilmar Mendes ou Estela Aranha. Restaurem nas sabias palavras do patriarca, o espírito que  tornou o Brasil um país respeitado no mundo inteiro.

Rui Barbosa tinha razão quando declarou o seu arrependimento por ter apoiado o golpe republicano: “Majestade me perdoe, eu não sabia que a República era assim”.

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