Muitos poderão pensar, à primeira vista, que estou me referindo a Haaland, o craque norueguês, responsável por despachar a nossa seleção da Copa do Mundo. Nada disso. Refiro-me ao gestual indecente, deveras propagado na imprensa, cujo protagonista foi Lula da Silva, presidente do Brasil.
Longe de mim o moralismo verbal. É sabido que o moralismo puro e simples é um modelo decadente de julgamento de homens públicos, mesmo que a intenção do indigitado presidente tivesse sido apenas a intenção de parecer popular, reproduzindo em seu linguajar o que imagina seja comum entre seus súditos.
Lula, como de costume, berrava para sua pequena plateia, como se estivesse possuído por algum espírito maligno, de tal modo espumava e de sua boca espargia uma baba grossa e esbranquiçada, exibindo-se no papel de pobre e necessitado, como se fosse um deles.
Também não estou tentado a compará-lo com outros chefes de Estado, desempenhando o mesmo teatro. Se sua intenção era aprofundar o conflito social e jogar os pobres contra os ricos, o fez de modo primário e, mais uma vez, depreciou a magistratura de que estava investido. Imagine, caro leitor, o mesmo discurso na boca dos líderes mundiais, a exemplo de Xi Jinping, Trump, Macron ou o Rei da Inglaterra!
A linguagem é a expressão prática da consciência, já dizia o velho Marx. A ser verdadeira a opinião do mais renomado pensador da esquerda –e parece que é- a consciência política e social de Lula da Silva não passa dessa simplificação grosseira, indecente e mentirosa. Pior ainda quando descobrimos as concepções da neurociência de David Bohm, contemporâneo e colega de Einstein com mais de 30 mil citações científicas, que dizem, entre outras coisas, que “consciência não emerge do celebro. Celebro emerge da consciência”, já que pensamento e matéria são dois lados da mesma realidade, Bohm está convencido que se o celebro repete as mesmas convicções colherá sempre os mesmos resultados.
Lula não se acanha de prometer um mundo ilusório aos pobres, um paraíso que ele não é capaz de construir e que só existe no plano da demagogia e da mentira. Com esse discurso nenhum Governo, na realidade, será capaz de saltar o colosso de Rhodes e superar a pobreza brasileira num passe de mágica, da qual o pobre sairá da necessidade para uma vida de “primeira”, como a dos ricos.
Lula menciona esta nova vida de primeira que será doravante desfrutada pelos pobres. Quem não gosta de coisa boa? De comida, de roupa, de viagem, bebida, médico...tudo de primeira, interroga para deleite do público selecionado, em orgasmos múltiplos... Concretizada a quimera, Lula chega ao apogeu da mentira desenfreada, da igualdade finalmente alcançada, de um futuro assegurado e garantido.
Em "O Futuro de uma Ilusão", Sigmund Freud afirma que “as massas nunca tiveram sede de verdade. Elas querem ilusões e não vivem sem elas”. Seguramente, o apedeuta nunca leio uma linha do criador da psicanalise, mas astuto como é, ouviu em algum lugar que esta é uma tática infalível para despertar o gosto das massas populares pela ilusão. Sem escrúpulos de nenhuma espécie, Lula embarcou nessa com sua retórica de cachaceiro!



