Decididamente, não quero me extraviar em questiúnculas sem nenhuma importância, analisando a grave situação em que se encontra o nosso país, a braços com o tarifaço de 25% aplicado pelo Governo dos EUA sobre um quinto de produtos brasileiros de exportação. Refiro-me às vãs considerações que pretendem inculpar os bolsonaros, à ridícula e sepultada reciprocidade mencionada pelos beócios que ocupam o palácio presidencial e outras bobagens mais!
Forçoso noticiar que a USTR, entidade norte-americana, lida atualmente com noventa e nove investigações, com base em quatro frentes diferentes, arrolando diversos países do mundo, incluindo o Brasil. São investigações fruto da 301 sobre Trabalho Forçado, Excesso de Capacidade, Comércio Bilateral e Disputas Específicas. Por exemplo, as investigações sobre Trabalho Forçado engloba cinquenta e nove países e a União Europeia e pode levar á tarifa de 12,5%. Desse modo, o Brasil não é o único país a sofrer o desaforo norte-americano, como classificou o presidente Lula da Silva, mas uma política global de Trump, com vistas, segundo o governo republicano, a recuperar a paridade comercial dos EUA.
A diferença é que esses países do mundo inteiro vem negociando com êxito com o governo norte-americano e o Brasil limitou-se aos discursos provocadores e rocambolescos proferidos pelo seu mandatário, com a anuência tolerante dos empresários brasileiros.
É verdade que a balança comercial entre Brasil e EUA revela um superávit em favor dos norte-americanos, assim como é verdade que o nosso país é um dos mais protecionistas do mundo, a fim de proteger interesses de setores empresariais em prejuízo dos próprios consumidores brasileiros. O etanol brasileiro tem uma tarifa de 18%, enquanto o mesmo produto nos EUA tem uma tarifa de 2,5%, gerando um notável desequilíbrio. Os produtos industrializados brasileiros tem uma tarifa média de 20% e os automóveis a tarifa é de 35%. Estes e outros infindáveis exemplos dificultam a entrada de produtos estrangeiros no nosso mercado, tendo como consectário inevitável a redução da nossa competitividade, o encarecimentos dos insumos e as importações que poderiam modernizar a produção industrial. Tudo isso é assim porque parte do nosso empresáriado ao invés de inovar e reduzir seus custos, vivem às custas de um Estado corrompido e patrimonialista.
O chefe dessa tribo de aproveitadores, encarregado de tomar decisões estratégicas, é um presidente sem rumo e sem políticas capazes de livrar o país do atraso econômico e da pobreza em que vive atolado. Como disse Thomas Sowell com grande lucidez: “É difícil imaginar uma maneira mais perigosa de tomar decisões do que deixá-las nas mãos de pessoas que não pagam o preço por estarem erradas”.
Permanecendo o Estado brasileiro nas mãos deste governo errático, o país corre o sério risco de viver sob o signo nefasto dos tarifaços, agravando a sua pobreza e cada vez mais afastando-se de uma política que lhe permita incorporar os ganhos de produtividade e inovação das nações ricas, fortalecendo a democracia e o bem estar do seu povo.
O que se deve aprender com a ofensiva tarifária norte-americana é que nossa economia carece de progredir em matéria de eficiência e competitividade e que somente será prospera e integrada no comércio internacional quando depender menos da proteção do Governo, romper sua dependência do Estado patrimonialista e alcançar o status das nações modernas e ricas.
Infelizmente, para Lula da Silva, negociar significa um simples desaforo!
- Home/
- Colunistas/
- Marcelo Cordeiro /
- O DESAFORO NORTE-AMERICANO
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie:[email protected]
*Os comentários podem levar até 1 minutos para serem exibidos



