O Mar e o Rochedo

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O Mar e o Rochedo

O governo de Lula da Silva nos conduziu a uma situação semelhante a que se dar no conflito entre o mar e o rochedo. Nos expos a uma escolha que não fizemos, nem faríamos, como se fossemos a ostra indefesa neste conflito do beco sem saída, no qual sempre perde o mais fraco e vê o seu futuro comprometido.

Melhor dizendo, de um lado, o mar nos castiga em razão do nosso atraso e dos equívocos históricos que comentemos e, de outro lado, entregamos de mão beijada as nossas riquezas e nos deixamos colonizar. Assim, procedem as grandes potências do mundo, representadas pelos Estados Unidos da América e pela República Popular da China.

Já conhecemos o significado e a extensão da tarifa de 25% decidida pelos EUA sobre as exportações brasileiras e estamos prestes de ver adotada a tarifa de 12,5% para os produtos brasileiros exportados para os EUA que tenham sido produzidos em nosso país através do trabalho forçado, em relação ao qual os Estados Unidos são o único país do mundo que impedem que o trabalho forçado participe da sua cadeia de produção. Para o ex-embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa, tão grave quanto a elevação das tarifas é o fato de que nenhum outro país do mundo  desafia os Estados Unidos quanto o Brasil.

Na outra vertente do poderio econômico mundial, a China está comprando o Brasil. Em janeiro deste ano, a Chinaco, uma poderosa controladora da mineração chinesa adquiriu por mais de 4 bilhões de dólares a Companha Brasileira de Alumínio, igualmente a China alarga a sua influência sobre os portos brasileiros, incluindo o Porto de Açu no Rio de Janeiro e boa parte do de Santos, em São Paulo, outra transação de grande porte foi a compra por 350 milhões de dólares pagos pela estatal chinesa CNNG por uma mina de  estanho na Amazônia. Transações comerciais como estas tem-se reproduzidos por centenas, provocando uma desindustrialização, sobre no setor mineral. Cidades tem sido construídas e indústrias erguidas, representando bilhões de dólares de investimentos chineses. Em matéria de infraestrutura nada se compara em escala global com os investimentos chineses em rodovias, pontes e estradas de ferro a fim consolidar sua preponderância comercial. O Brasil prepara para este mês sua primeira emissão de títulos públicos em Yuan.

Mais grave: semelhantemente ao que faz seu “primo” mais rico, os chineses também dominam a arte das tarifas. O excedente das exportações de carne bovina para a China tem a tarifa de 55%, deixando os norte-americanos no chinelo! Nem um pio se ouviu, contudo, do governo brasileiro. Não é à toa que Wang Wi, Ministro das Relações Exteriores da China, durante recente reunião com Mauro Vieira, declarou com máxima empáfia: “A China confia que o Brasil, como sempre, respeitará e apoiará a China na defesa de seus interesses fundamentais”. 

É notório que apresentei tanto sobre o mar e sobre o rochedo alguns poucos aspectos, por mais dramáticos que possam ser, dos seus principais liames com o Brasil, porém intentei descrever um quadro do desastre a que o Brasil está exposto, sofrendo diferentes formas de uma soberania há muito tempo perdida, a cada vez que o mar e o rochedo travam as suas lutas, sempre em desfavor das ostras.

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