É um consenso, muito difundido entre pessoas com razoável informação sobre a história humana e também presentes entre aqueles, cuja ignorância é tão arraigada, que a guerra, em quaisquer circunstâncias, é deplorável e absurda. Compreende-se estes comportamentos, tão homogênios em pessoas tão diferentes, em razão dos horrores que a guerra espalhou ao longo da história.
A guerra que eclodiu no último sábado entre os Estados Unidos em conjunto com Israel, contra o Irã, suscita um exame mais acurado das motivações presentes em suas raízes, ainda que fossem desprezadas as ameaças da teocracia iraniana contidas em suas palavras de ordem: morte à América e a destruição do Estado judaico de Israel, por parte dos fanáticos que governam o poderoso Estado iraniano. Igualmente, não convém esquecer a indolência e o descaso das Nações Unidas a tão perigosas ameaças.
Os antecedentes são conhecidos e deflagraram o recente conflito de “Onze Dias” entre Israel e Irã, no qual os israelenses visavam atingir, como realmente aconteceu, os grupos do Hezbollah e Hamas, terroristas homiziados no país mulçumano. Os conflitos entre o Irã e os Estados Unidos –apenas para citar os mais recentes- repercutem com veemência, como a invasão do Irã à Embaixada norte-americana com o sequestro por longos 444 dias do corpo diplomático daquele país; também não é possível esquecer o ataque uraniano em Beirute, em 1983, aos fuzileiros navais da Marinha norte-americana que deixaram no rastro da violência 241 fuzileiros mortos e outros tantos acontecimentos reveladores da brutalidade da ditadura teocrática dos aiatolás.
Para os norte-americanos e israelitas não parecia aceitável permitir que um país, com esta trajetória de violência e desrespeito às normas do direito internacional, pudesse concluir, como está em curso, o seu projeto de enriquecimento de urânio e produção de uma bomba nuclear. Tantas vezes isto foi objeto de negociações diplomáticas entre os países com vistas à suspensão desse cometimento transloucado e outras vezes de ações militares destinadas a impedir a continuação do projeto.
Em todo o Oriente Médio, o regime do Irã propiciou o apoio mais escancarado aos diversos grupos terroristas, como o Hezborllah, o Hamas, os Houthis e o Jirah Islâmica Palestina entre outros, sendo o que chamou mais a atenção da opinião pública internacional foi o episódio criminoso do 7 de outubro no qual o Hamas exterminou mais de 1000 israelenses e 42 americanos e reféns cidadãos dos dois países. A violência iraniana culminou contra seu próprio povo, matando criminosamente mais de 40 mil cidadãos em protestos representativos do direito elementar de manifestação pública, em movimentos jamais vistos de rebelião popular contra um regime de violência indiscriminada e preconceituosa. Naquele episódio estava representado o princípio ocidental, proferido por John Locke, um dos representantes da democracia liberal entre nós, que proclamava: “quando o governo deixar de expressar a vontade coletiva, os cidadãos têm o direito de derrubá-lo”.
Desesperado com a ruptura de sua cadeia de comando, o regime ataca os países do Oriente Médio e provoca a reação das potências europeias, convertendo a guerra em uma conflagração de grande porte, ao aderir à iniciativa conjunta dos norte-americanos e israelitas. Disposto a elaborar um artefato nuclear e lançá-lo para alcançar seis objetivos condenáveis, decidido a impor ao seu povo os preceitos mais miseráveis do seu poder absoluto. Os aiatolás consideraram as mulheres iranianas como seres inferiores na escala humana e submete-as à completa humilhação, condenam os gays a desfrutarem dos direitos humanos mais comezinhos, comentem, por fim, crimes hediondos que atormenta o Irã por mais de 46 anos. O que fazer diante deles? Tolerar, incentivar, admitir, conviver, permitir?
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