Percorro as redes sociais e me deparo com mudanças substanciais entre aqueles que, há pouco tempo atrás, louvavam o poder e os poderosos e se apresentavam como virtuosos, os quais em verdade revelavam “a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista”, como bem caracterizou Nelson Rodrigues. Certamente, o grande polemista brasileiro prenunciava a nossa imprensa estatizada e servil.
Felizmente, chegou na hora de contar a verdade, tantas vezes reprisada e nunca admitida, ainda que a “verdade não tivesse defesa contra um idiota decidido a crer numa mentira”. Faço igual a Guimarães Rosa, “conto ao Senhor é o que sei e o Senhor não sabe; mas principal quero contar é o que eu não sei se sei, e que pode ser que o Senhor saiba”.
Que o Brasil está submetido à uma ditadura da toga, que mata, prende inocentes, corrompe e rouba, censura, intimida, enfim subtrai ao nosso povo todos os seus direitos fundamentais, previstos na nossa Constituição. Um dos pais da nação norte-americana, George Washington, nos dizia que “quando a liberdade de expressão nos é tirada, logo podemos ser levados, como ovelhas, mudos e silenciosos, para o abate”. Igualmente, outro pai fundador da mais pujante Democracia do mundo, os Estados Unidos da América, Alexander Hamilton, advertiu que “a prática de prisões arbitrárias tem sido, em todas as épocas, um dos instrumentos preferidos e mais formidáveis da tirania”.
Essa imprensa subserviente, por muito tempo subordinada à ditadura reinante, começou a provar do fruto amargo que todos nós experimentamos, até que a eles também fosse servido. Suponho que viviam infelizes nas redações de seus noticiários falsos e mentirosos, e, de repente, descobrem a doçura da liberdade e a sorvem em goles libertadores, tardios, mas em tempo de escapar de um mundo perigoso, cujos dilapidadores não são apenas os que fazem o mal, “mas sim –como dizia Einstein- são aqueles que observam e deixam o mal acontecer”.
Trata-se de um benigno processo de conversão em que a imprensa, responsável por formar a opinião púbica - hoje mais publicada do que pública- , esquiva-se de tomar decisões e pagar o elevado preço de conduzir uma nação inteira a normalizar a corrupção e a violência institucional.
Esses novos ventos que sopram anunciam, todavia, que as mudanças estão chegando, trazendo no seu bojo uma linguagem de união de diferentes segmentos políticos que, uma vez dispostos a reconduzir o país ao continente democrático, esquiva-se de fazer uma “mea culpa” e, em seu lugar, celebra uma aliança sólida, baseada em um programa claro e unificador, indispensável para pôr fim à ditadura judicial instalada no país, no mesmo molde em que as ditaduras fenecem: o navegar é preciso!
Uma boa largada para essa corrida popular é a união de todos em torno da proposta da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, de imediata revogação do chamado Inquérito do Fim do Mundo e a participação dos movimentos sociais na grande manifestação do dia primeiro de março. A construção de uma grande aliança de forças, incluídas as organizações mais representativas da sociedade civil, entre elas a OAB, a CNBB e as denominações cristãs, Organizações Profissionais e outras, além de organizações partidárias, serão sementes reprodutivas de uma consciência nacional em torno da Democracia e da revisão e anulação das decisões tomadas pelo STF com base no inquérito ilegal que perdura por mais de sete anos.
Esse passo comprovaria a sinceridade desses movimentos em curso e sua continuidade é essencial para a real transformação do confronto político polarizado em um amplo processo de unidade nacional em favor da democracia e do estado de direito.
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