A desmontagem da Lava a Jato, a maior operação anticorrupção do Brasil, correspondeu exatamente à reação do sistema, frente à possibilidade de ver exumada a corrupção, entranhada no corpo dessangrado da nação. As condenações foram anuladas, as provas mais contundentes foram parar embaixo dos tapetes e desapareceram, o descondenado foi alçado à Presidência pelas mãos de um sistema político corrompido e por uma imprensa venal e cúmplice, todos embalados pelo discurso sórdido e falso da defesa das instituições e da democracia, que acabara de vestir-se com a mortalha da morte.
Sob o comando e a proteção institucional do Supremo Tribunal Federal –STF, celebrou-se a aliança entre esta corte superior de justiça e o poder executivo, conluio inaugural de uma ditadura em que os que protestavam eram criminosos, o arbítrio tomou o lugar da Constituição e das leis, instaurou-se o medo e a descrença.
A aparência de legalidade, vestida com o disfarce das instituições, foi quebrando a resistência da sociedade civil, levando-a a incredulidade e desarmando o espírito patriótico da nação que assistiu pasma os mais obscuros e ilegais procedimentos judiciais da história do país.
Os valores políticos e morais mais caros à Nação foram se dissolvendo, permitindo pela truculência, que os “valores comuns, reconhecidos por todos e cada um deles se tornassem incompreensíveis para o próprio cidadão”, conforme nos disse Albert Camus em seu extraordinário livro O Homem Revoltado, como se repetisse o imperativo categórico de Kant.
Dessa forma insidiosa, o sistema foi destruindo peça por peça, as tradições do povo brasileiro, em nome do socialismo bolivariano que nos vinha importado por Lula da Silva de uma Venezuela, cada vez mais embotada na desordem e na repressão violenta de seu próprio povo. Até a fé cristã sofreu a repressão que não pensávamos ser possível num Estado leigo. A razão desse escárnio, podemos inferir no fato de que o socialismo professado por Lula da Silva não é apenas a questão operária, muito menos o divisionismo identitário, é também a questão do ateísmo, de uma sociedade privada de suas crenças legítimas. Apelo, novamente para Camus, que nos diz com propriedade, ele mesmo um ateu: “contrariamente ao que pensam alguns de seus críticos cristãos, Nietzsche não meditou o projeto de matar Deus. Ele o encontrou morto na alma do seu tempo”. A alma das grandes ditaduras amigas de Lula da Silva e das democracias em crise existencial.
A ditadura implantada no Brasil é, sem dúvida, a mais perversa que possa existir na face da Terra. O que esse regime de natureza totalitário, pretende no fundo, é paralisar o homem brasileiro, inocular no seu íntimo uma derrota definitiva e sem esperanças.
Restrinjo-me nessas poucas linhas a salientar a implacável intenção de regime contra a fé cristã do nosso povo, pois entendo que este procedimento, pode representar o despertar de nossa nação e neste sentido reproduzo aqui as palavras luminosas de Camus que, ainda que o homem “não acredite mais em Deus e na vida imortal, ele torna ‘responsável por tudo aquilo que vive, por tudo que, nascido da dor, está fadado a sofrer na vida’ É a si próprio, e somente a si próprio, que cabe encontrar a ordem e a lei.”
Ainda que Camus seja considerado o filósofo do absurdo, ainda assim o seu absurdo faz todo sentido no paraíso dos canalhas.



