Silvio Santos foi um comunicador notável. Inscreveu seu nome na história da televisão brasileira. Um de seus quadros mais lendários era a oferta do vil metal, a quem respondia com certidão uma xarada qualquer.
Sem dispor da mesma graça e com a oferta de dinheiro público, Lula da Silva imitou Silvio Santos. Com uma diferença fundamental. Enquanto o comunicador da televisão distraia a plateia nas tardes de domingo, o imitador do artista era o presidente da república e seu foco era cometer crimes eleitorais.
Um atrás do outro, tudo o que a lei proíbe terminantemente. O que é a lei, senão um obstáculo a ser superado. Foram ignoradas muitas medidas governamentais adotadas ao longo da campanha eleitoral, sem que o sistema de justiça desse um pio? O regime lulista é mesmo, fora da lei.
Em 1892, num Manifesto à Nação, Rui Barbosa nos deixou uma advertência que confronta até os nossos dias o que se passa com o nosso país. O grande político baiano afirmou: “com a lei, pela lei e dentro da lei; porque fora da lei não há salvação”.
Lula da Silva pisa a lei, ignora seus ditames, chincana da lei e submete os tribunais. O Art. 299 do Código Eleitoral reza: “Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”.
A inobservância da lei implica em prisão e outras penalidades, inclusive a cassação do registro da candidatura presidencial. Lula, reincidente contudo, ri da própria lei e nada lhe acontece. Infringiu, em diferentes ocasiões da disputa eleitoral, o que a lei estabeleceu.
Ao perdoar uma dívida de mais de 12 bilhões de reais dos pequenos e micros empreendedores, o Presidente da República, promete o que dependerá do Congresso Nacional e engana toda a Nação com ilusões que sequer tem previsão orçamentária no ano vindouro.
A soma dos seus engodos e farsas durante o período eleitoral chegou, segundo o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, a 340 bilhões de reais. A gastança de recursos públicos, reais e imaginários, fruto da escorcha fiscal a que estamos submetidos, produziu um efeito contrário ao desejado, comparável à canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas que enriquece o cancioneiro popular: “Mas doutô, uma esmola ao um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
É fácil reconhecer a sordidez dos crimes continuados. Os poderosos consideram o nosso povo e eleitores um bando desordenado de imbecis, inconscientes, desprovidos de inteligência e sabedoria. Tomaram o bonde errado. Patativa do Assaré chamou a atenção: “antes do pleito, festa, riso e gosto, depois do pleito imposto e mais imposto”.
Não podemos normalizar, nem incorporar aos nossos costumes esses crimes, nem essas mentiras, sob pena delas inocularem seus vírus nas gerações futuras. O clérico e teólogo anglicano, Jonh Weley disse-nos como se fora uma profecia: “o que uma geração tolera, a próxima geração abraçara”. Isso significa que os mais jovens chegam ao mundo real respirando esta atmosfera, como algo normal e defensável. Sem dúvida que nenhum absurdo se torna normal da noite para o dia. A desordem moral de uma civilização é um processo lento e silencioso, nascido de sucessivas concessões diárias.
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