Seria a América Latina o continente da paz perpétua, como imaginou Immanuel Kant? Parece que não. Desde o último grande conflito – a guerra do Paraguai – há mais de um século, quando D. Pedro II era Imperador do Brasil, eclodiu um conflito armado e sangrento em países do continente.
Aforo os golpes militares e alguns conflitos regionais reinou no continente desentendimentos e arranjos pacificadores.
Não é o que se vê agora. A América Latina transformou-se num paiol de pólvora. As labaredas da discórdia se espalham pelo continente e têm um potencial, cujo desfecho se encaminha para enfrentamentos capazes de alterar o atual contencioso estabelecido.
Os Estados Unidos da América, maior potência econômica, política e militar do mundo, insurge-se contra o agravamento dos rumos que norteiam países latino americanos, cada vez mais distantes de valores democráticos vigentes nos países ocidentais e firmam alianças com países considerados inimigos históricos dos EUA, ostentando ditaduras e aproximações com os grupos terroristas mais perigosos e violentos.
Na América Latina ditaduras instituídas em Cuba, Nicarágua e Venezuela, além de uma autocracia sob o comando do Poder Judiciário no Brasil, oprimem suas populações e mergulham na corrupção seus governos. Principalmente a Venezuela, sob um regime bolivariano, supressor das liberdades democráticas, estruturado num Estado associado ao narcotráfico, exportador de toneladas de cocaína e outras drogas igualmente nocivas para o mercado norte americano. Os lucros deste comércio ilegal pretendem e propiciam também o ingresso de doenças e a desestruturação moral da sociedade.
Acordos com países, a exemplo do México, asseguram aos Estados Unidos conter este pernicioso comércio, a fim de proteger os seus cidadãos do contato com o mundo das drogas. Com vistas a levar às últimas consequências o combate ao narcotráfico, os americanos tem considerado as organizações criminosas espalhadas e atuantes no continente, como grupos terroristas, que solapam a vida social e cultural das nações onde cometem seus crimes.
O caráter ditatorial e narcotraficante do Estado venezuelano, levou os norte-americanos a adotarem uma estratégia militar, deslocando para o mar do Caribe uma frota de navios, porta-aviões e um submarino nuclear, com a finalidade de encorajar a oposição democrática da Venezuela, suas forças militares descontentes com as condições precárias com que os venezuelanos são submetidos a fome, a brutal repressão política e ao desejo de restaurar a democracia perdida.
Não se sabe se o governo norte-americano ordenará algum tipo de ação militar, com vistas a eliminar as estruturas que sustentam o narcotráfego e mantem em pé o regime opressor.
Ou, alternativamente, aguarda o advento de uma rebelião no interior do regime e a falência das forças que protegem o ditador e seus principais auxiliares.
O fato indiscutível é que a conduta dos norte-americanos implica num real e desejável restabelecimento da democracia, ainda que esta conquista só será possível através do uso da força e o fim de uma ditadura sangrenta e imoral.
É de uma evidência palmar que nada se pode esperar da ONU, organismo que, há muito tempo, deixou de representar a prevalência das liberdades e dos direitos humanos nas relações que os países travam entre sí.
A expectativa, portanto, de uma queda do ditador e sua fuga para um país amigo do regime venezuelano, é plausível, como foi a famosa batalha de Itararé que não aconteceu, já que a queda do Presidente Washington Luís, ocorreu antes que a prometida batalha na cidade de Itararé começasse.
Seja qual for a estratégia norte-americana, ela implica na eliminação da complexa e poderosa rede do narcotráfico e das narcoditaduras que representam uma crescente transformação no mapa geopolítico mundial, em favor de uma ordem mundial, baseada em sistemas econômicos e políticos rejeitados pela História.