A pandemia do esgoto e a água limpa em quarentena: os sintomas e a cura

[A pandemia do esgoto e a água limpa em quarentena: os sintomas e a cura]

FOTO: Daniel Adoraldo

"Levanto-me com o raiar do sol, rumo aos afazeres rotineiros. O borbulhar da água no fogo avisa-me da hora de coar meu café. Com gestos automáticos, realizo as tarefas que me são costumeiras: ora a lavagem da roupa; ora a fervura dos alimentos para o almoço; ora a criança no banho para a escola.

Na TV, em lugar das notícias que me são convenientes, ouço alarmantes relatos de um tal esgoto contaminando as águas e comprometendo a saúde das pessoas. Quisera eu dispor tempo para compadecer-me dessa situação, não fosse meus compromissos que me tomam todas as atenções.Todavia, tais informações persistentes espalham-se como um vírus e em todo canto que eu vá, presencio o pânico nos olhares preocupados. 

Logo hoje que iria levar o carro ao lava-jato e aproveitar o dia para ir à praia?"

O cotidiano do personagem fictício narrado acima é uma analogia à pandemia do Covid-19 que espelha de modo familiar a situação das águas contaminadas por esgotos, pois, devido à negligência, cerca de 1,7 milhão de criança menores de 5 anos se tornam vítimas da falta de saneamento básico (OMS).

E se o isolamento fosse imposto à água para não comprometer ainda mais a sua qualidade? Como teríamos acesso a esse recurso tão essencial? Não sei do que seria feito o café ou o cozimento do alimento ou da higienização das roupas e muito menos se a criança chegaria asseada à escola.

A questão explanada aqui é sobre como devemos lidar com problemas comum a todos, o que se tem feito para detectar a causa e sanar os efeitos, ou seja, desenvolver a cura.

A água, que proporciona a manutenção da vida no planeta Terra, nos permite realizar nossas atividades pessoais, sociais e econômicas, oferecendo-nos bem-estar.     Não obstante, como resposta, vendamos os olhos para o que absurdamente achamos não ser das nossas contas, enraizados em nossos hábitos antagônicos, ou ainda, cansar de lutar pela preservação dos recursos hídricos e o fim dos esgotos não tratados.

O Covid 19 foi fruto de egoísmo, ganância, falta de empatia e como consequência, nos baniu de muitos prazeres e nos tirou pessoas queridas, mas também inspirou a rever comportamentos, atitudes e ações, priorizando o que de fato é crucialmente necessário: a vida.

Mas, no que será diferente se houver um surto de escassez da água?

Paula Telles - Gestora Ambiental, integrante do Movimento Rios Vivos e Membro da Oscip Rio Limpo


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