Alta de 54,6% no querosene de aviação pode trazer 'consequências severas' para setor aéreo, diz Abear
Combustível passa a representar 45% dos custos das companhias.

Foto: Antonio Milena/Arquivo Abr
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou nesta quarta-feira (1º) que o aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV) pode provocar “consequências severas” para o setor aéreo brasileiro. O reajuste foi confirmado pela Petrobras e ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional causada pela guerra no Oriente Médio.
Segundo a entidade, somado ao aumento de 9,4% aplicado em março, o combustível passou a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, anteriormente era pouco mais de 30%. De acordo com a Abear, a elevação pode impactar diretamente a abertura de novas rotas e a oferta de voos no país.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, afirmou a entidade em nota.
Apesar do impacto nos custos das empresas, a associação não mencionou oficialmente eventual aumento no preço das passagens.
Para reduzir o impacto imediato do aumento, a Petrobras informou que as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18% em abril enquanto a diferença restante será parcelada em seis vezes a partir de julho. Segundo a estatal, a medida busca preservar a demanda pelo combustível e reduzir os efeitos da alta no setor aéreo.
Companhias já ajustam operação e tarifas
O aumento do combustível já provoca reflexos nas empresas aéreas. O grupo Grupo Abra, controlador da Gol Linhas Aéreas, afirmou que a alta pode exigir reajustes nas tarifas. Segundo o diretor financeiro da holding, cada aumento de US$ 1 por galão no QAV pode exigir elevação de cerca de 10% no valor das passagens. Já a Azul Linhas Aéreas informou que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% nas últimas três semanas.
Guerra no Oriente Médio pressiona preço do combustível
O reajuste do QAV ocorre após a valorização do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde o início da guerra, o barril de petróleo subiu de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Nesta quarta-feira (1º), o petróleo tipo Brent era negociado próximo de US$ 102. Embora mais de 80% do querosene consumido no Brasil seja produzido internamente o preço segue a paridade internacional, acompanhando as oscilações do petróleo.


